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Um câncer no futebol mundial

            Manifestações racistas persistem nas arquibancadas e causam grande polêmica         

Luís Felipe dos Santos

  

No princípio, futebol não era esporte de negros. Seja no Inter, no Grêmio, no São Paulo, no Corinthians, no Flamengo ou no Vasco. O Bangu foi o primeiro clube a formar um time com jogadores ‘de cor’, pois os funcionários negros da fábrica dona do time eram melhores que os diretores brancos. Em 1923, o Vasco da Gama foi campeão da segunda divisão carioca com um time formado majoritariamente por negros e mulatos. O fato provocou revolta nos aristocráticos clubes da primeira divisão, que exigiram a expulsão dos 12 atletas negros presentes no elenco cruzmaltino. O Vasco não aceitou. Separou-se dos grandes clubes e juntou-se aos pequenos. Dois anos depois, os grandes clubes perceberam o potencial do atleta negro, abriram seus elencos e aceitaram novamente o Vasco na sua liga.

            Oitenta e três anos depois, o zagueiro argentino Leandro Desábato chama Grafite de macaco e negro de merda em campo. Sai algemado do gramado. Boa parte da imprensa e dos especialistas em futebol considera a denúncia de Grafite um “exagero”. O fato vira piada na Argentina. Grafite, pouco tempo depois, se nega a falar no assunto, possivelmente envergonhado pela repercussão negativa da sua denúncia.

            No mesmo ano de 2005, Tinga é hostilizado por uma parte da torcida do Juventude. No ano seguinte, o volante gremista Jeovânio é ofendido com um gesto racista pelo zagueiro Antônio Carlos, então juventudista. No ano atual, 2007, um grupo de neonazistas identificados com a torcida do Grêmio é preso por agredir um punk. Na apresentação dos criminosos, são mostradas imagens que ligam os símbolos tricolores à pôsteres nazistas.

             Não há movimento fascista no Grêmio  

            O delegado Paulo César Jardim, responsável pelo caso, se apressa em separar as coisas. “Não dá para dizer que existe um movimento racista na torcida do Grêmio”, afirma. Os skinheads foram presos por uma agressão ocorrida após o Gre-Nal, mas um fato não tem relação direta com o outro. O jovem punk, Fábio Endrigo, foi espancado no Centro de Porto Alegre, mais de cinco quilômetros de distância do Estádio Olímpico. Além do mais, não estava identificado com nenhum objeto do Inter – até por que é gremista. A rigor, Fábio foi vitimado pela “guerra aberta” que existe entre punks e skinheads na cidade – que já foi mais violenta, mas diminuiu bastante depois da condenação de três carecas por espancarem um jovem judeu em 2005.

            O esforço do delegado em não ligar os skinheads presos – Diego Santa Maria e Renan do Amaral Pereira – à torcida do Grêmio é grande. Jardim acompanha conflitos envolvendo skinheads e neonazistas há cinco anos mas ainda não viu crescer um movimento realmente organizado relacionado à alguma torcida da capital. Na Europa, os grupos skinheads são fortes dentro das torcidas organizadas de várias equipes – Feyenoord e Den Haag na Holanda; Lazio e Catania na Itália; Real Madrid e Getafe na Espanha; entre outros – mas Jardim não acredita que esta tendência tenha seguimento em Porto Alegre. “Inclusive a mídia têm que ter responsabilidade na hora de divulgar isso. O que existe é um movimento skinhead, independente da opção esportiva. Não tem nada a ver com a torcida do Grêmio, não é um movimento da Geral”, afirma. A afirmativa é compartilhada pelos principais membros da torcida. “Vamos esclarecer de uma vez por todas: não existe um movimento skinhead dentro da Geral”, afirmou Paulão, um dos principais líderes da torcida.

            O fato gerou polêmica. Apareceu na internet um pôster, supostamente da Camisa 12, que chama os neonazistas tricolores para o confronto. “Os lados estão formados, estamos prontos para a guerra”, dizia o pôster, tendo como fundo a imagem do movimento Panteras Negras. O delegado Jardim deu uma risada quando soube desta história. “É uma grande viagem”, respondeu.

             A resposta colorada 

            Nos últimos jogos do Internacional, surgiu uma faixa com a inscrição: “O clube do povo contra o racismo”, em letras maiúsculas. “O clube do povo contra o”, está escrito em vermelho; “racismo” aparece em azul e preto, numa menção ao rival. Ronald Miorin, um dos autores da manifestação, afirma que a torcida do Internacional está no direito de cobrar atitudes contra o racismo. “Se eu criar um canto aqui chamando os negros de sujos, de macacos, ou a torcida vai me xingar ou a segurança vai me botar para fora”. Quando informado que os fatos desligam o movimento racista da torcida do Grêmio, Miorin questiona. “Em que outro lugar do mundo tu pode chamar os negros de macacos e ser aplaudido?”

            Miorin se refere aos cânticos da torcida do Grêmio que descrevem os colorados como “macacos”, de forma pejorativa. Após o caso Jeovânio – Antônio Carlos, em 2006, estes cantos receberam questionamentos até mesmo dentro do Grêmio. Antônio Carlos foi condenado pela Justiça Desportiva por ter feito um gesto racista – “limpando” o braço direito – e por xingar o volante gremista Jeovânio de macaco. Então, começou um questionamento: por que os cantos envolvendo a palavra “macaco”, de forma pejorativa, não suscitam punição? O vice de administração do Grêmio na época, Marco Antônio Scapini, reuniu-se com líderes da Geral do Grêmio para dizer que eles deveriam evitar tal xingamento, para não acarretar uma punição ao clube. O fato foi divulgado na Zero Hora e recebeu contestações. Numa matéria, três líderes da Geral do Grêmio aparecem justificando a palavra. “Os colorados são chamados de macacos por que copiam tudo, não por que são negros. O Grêmio tem uma estrela dourada em homenagem a Everaldo, que era negro; o autor do hino gremista é negro. Isso demonstra que não somos racistas”, declarou um dos líderes.

            Marco Scapini foi procurado para responder se mantém a mesma opinião, um ano depois do ocorrido. Scapini não quer mais falar sobre o assunto. “A imprensa divulgou uma inverdade, que eu teria dito para a Geral trocar ‘macaco’ imundo por ‘colorado’ imundo. Dois advogados do Inter me processaram por isso. Então, eu prefiro não comentar mais nada”, declarou Scapini, que não respondeu se acha a palavra “macaco” uma palavra racista. “Qualquer declaração minha será diretamente ligada ao Grêmio. Se queres uma opinião sobre o assunto, procura o presidente Paulo Odone”, afirmou.

            Odone recentemente se envolveu numa polêmica com o conselheiro do Grêmio Carlos Josias. Josias se desligou da direção do clube alegando discriminação racial por parte do presidente, que teria confundido quatro parentes seus negros com seguranças. Josias escreveu uma carta manfiestando sua revolta, missiva divulgada na imprensa. Odone respondeu afirmando que nunca foi racista por ter amigos e empregados negros, e que Josias estava desequilibrado. Até agora, nenhuma fonte imparcial – ou alguma testemunha presente quando se deu o conflito – relatou o assunto com a intenção de esclarecer o ocorrido. Paulo Odone assinou, em julho de 2006, um termo no Ministério Público de combate ao racismo, graças à repercussão do caso Jeovânio. Na esteira, o clube vendeu camisetas com a inscrição “100% negro, azul e branco”, para demonstrar de que lado está na briga contra a discriminação.

        Os cantos não cessaram 

            No entanto, os cantos envolvendo a palavra “macaco” de forma pejorativa não cessaram. Quando o Grêmio foi campeão gaúcho em 2006, os jogadores – inclusive Jeovânio – cantaram no Beira-Rio uma música que afirmava “chora macaco imundo, que nunca ganhou de ninguém”. O caso gerou repercussão na imprensa de Caxias do Sul, que reclamou da incoerência da Federação Gaúcha de Futebol. “Aquele fato gerou uma repercussão nacional, uma reação forte contra o racismo, o que foi muito importante. Mas o destaque não se repetiu quando envolveu o Grêmio. A tolerância com alguns casos não faz bem”, declara Ciro Fabres, jornalista do Pioneiro. Ciro, na ocasião, escreveu uma crônica sobre o caso para uma reportagem especial do jornal caxiense. Na reportagem, o volante Jeovânio – vítima de racismo no caso Antônio Carlos – foi questionado quanto ao fato de cantar a palavra “macaco” mas não respondeu ao repórter.

            O termo causa polêmica entre os torcedores gremistas. A grande maioria dos torcedores não concorda com a atribuição racista da palavra, assim como os líderes da Geral. Contra essa corrente está o professor de letras gremista Paulo Seben. “O xingamento ‘macaco’, é racista, sem dúvidas. Algumas pessoas dizem que é questão de tradição, mas essas mesmas pessoas não chamam os colorados de ‘sacis’.” Seben, que já presenciou atos racistas no estádio, afirma que a apropriação do termo pelos colorados é uma atitude defensiva, e também condena outros tipos de preconceito nos campos de futebol – tais qual a homofobia, presente em quase todas as torcidas do Brasil. “É uma espiral de violência. A juventude está acostumada com a ofensa, a intransigência, esse comportamento ‘tribal’ apregoado pelos gurus neoliberais. Só que não dá para defender a violência”, afirma. O colorado Ronald Miorin, autor da faixa contra o racismo, têm uma idéia semelhante à de Seben. “A nossa faixa não é para provocar os racistas. É para provocar os não-racistas que estão no Grêmio, para que eles tomem uma atitude e ajudem a acabar com este comportamento”.

             Um problema social 

            A Fundação Perseu Abramo deflagrou em 2004 uma campanha, chamada Diálogos Contra o Racismo. A campanha pretende encontrar onde está o racismo no Brasil, uma vez que a imensa maioria dos brasileiros admite a existência do racismo, mas não admite ter preconceito. Esta distorção demonstra fatos sociais relevantes: 64% da população de baixa renda no Brasil é negra; 80% dos jovens assassinados, entre 16 e 24 anos, são negros; mulheres negras têm remuneração quatro vezes menor que homens brancos.

            No futebol, podemos observar que embora aconteçam avanços no combate à discriminação nos estádios, os negros não têm conquistado espaços relevantes além do campo. Na primeira divisão nacional, não há treinadores negros; podemos considerar cinco ou seis treinadores mulatos. Nos conselhos deliberativos de Grêmio e Internacional, praticamente não existem negros, e nenhum presidente negro foi eleito nos dois clubes nos últimos trinta anos.

            Se no Brasil o racismo no futebol é menos descarado que na Europa ou na Argentina – afinal, temos uma maioria de população negra e parda – é fato que o país avançou muito pouco no combate à certas discriminações. Tende a avançar menos ainda se questões fundamentais, como o comportamento de torcedores nos estádios, forem relevadas.

              O caso Jeovânio-Antônio Carlos 

            No dia 6 de março de 2006, após ser expulso de campo, o zagueiro do Juventude Antônio Carlos fez um gesto considerado racista para o volante do Grêmio Jeovânio. Esfregando o dedo no antebraço, o defensor estaria “limpando a pele”. Leituras labiais feitas por especialistas identificaram que o jogador havia chamado Jeovânio de macaco. Na ocasião, Antônio Carlos se defendeu dizendo que limpava o braço por conta de um corte – o que não era verdade, conforme comprovaram as imagens. Onze dias depois, o zagueiro levaria uma suspensão de 120 dias pelo STJD.

            Fato curioso é que, cinco anos antes, o zagueiro reclamou das atitudes racistas da torcida da Lazio, quando atuava pela Roma ao lado de cinco atletas negros. “Peço que não busquem vingança por causa da agressão que sofri, não devem descer a um nível tão baixo” disse o atleta ao ser ofendido pelos rivais.

              Superando a discriminação racial. 

            O Bangu foi o primeiro clube brasileiro a contar com um negro na sua equipe titular – o atleta se chamava Francisco Carregal e começou no clube em 1905. Entre os maiores clubes brasileiros, o Vasco da Gama foi o primeiro clube a superar o racismo, vencendo a segunda divisão carioca em 1923 com 12 atletas negros.

            No Rio Grande do Sul, apesar de ter boas relações com clubes de negros, o Internacional só aceitou jogadores ‘de cor’ em 1926, com Dirceu. O Grêmio superaria esta barreira em 1952, com a contratação de Tesourinha, ex-craque do Inter, ainda que sob protestos de um pequeno grupo de associados.

                        Cada macaco no seu galho 

            Exemplos recentes de situações racistas no futebol:

            – Neste mês de outubro, o atacante sérvio do Anderlecht Nenad Jestrovic ofendeu atletas do Liverpool com insultos racistas. A UEFA suspendeu o atleta por três partidas.

            – O atacante camaronês Samuel Eto’o, em fevereiro de 2006, ameaçou abandonar uma partida do seu time – Barcelona – contra o Zaragoza, por ouvir a torcida rival imitar macacos quando ele tocava na bola. Desde então, Eto’o passou a comemorar seus gols imitando um gorila.

            – O treinador Javier Clemente, espanhol, fez referências ao símio ao citar jogadores negros ao criticar uma atitude de Eto’o, que cuspira num atleta seu. “Os que cospem são os que descem da árvore”, afirmou para a imprensa.

            – Em novembro de 2004, o lateral marfinense Zoro, do Messina, saiu de campo depois de ouvir a torcida da Inter de Milão imitar macacos.

            – No mesmo ano, o lateral Roberto Carlos, do Real Madrid, foi chamado de macaco pela torcida do La Coruña. O clube foi multado em 600 euros. Em 1997, Roberto Carlos teve o carro pichado com a inscrição “MAKAKO” na cidade de Madrid.

            – A torcida do Marítimo, de Portugal, imitou macacos para ofender o atacante Mantorras do Benfica, em 2005. O clube foi punido com os mesmos 600 euros.

            – O treinador Luís Aragonés comandava a seleção espanhola em 2005. Na ocasião, disse para o atacante Reyes: “você joga mais que aquele negro de merda”, referindo-se ao atacante francês Henry. A Federação Espanhola foi punida com 3 mil euros.

            – Em 2001, o atacante nigeriano Omolade foi ofendido com inscrições racistas pela torcida do seu próprio clube, o Treviso. Em resposta, os jogadores do Treviso entraram em campo com o corpo pintado de negro. A torcida respondeu com uma faixa: “Nossas cores: branco e celeste”.

           – No mesmo ano, o treinador do clube dinamarquês Farum, Christian Anderson, disse que não queria negros no seu time. “Eles só caminham com a bola, depois explodem de repente. Não é assim que se joga futebol na Dinamarca”, afirmou. O Farum não conseguiu, naquele ano, a promoção para a primeira divisão dinamarquesa.

Comentários»

1. André K. - 4 abril, 2008

O apelido “coxa” para o Coritiba também tem uma conotação racista.

E a torcida MA.CA.CO do inter? e sujeito que ia fantasiado de macaco na arquibancada inferior? e as antigas bandeiras da camisa 12 com um king kong desenhado?

2. André K - 4 abril, 2008

“Apesar de Tesourinha, oficialmente, ser o primeiro, o Grêmio já havia contado, desde a década de 20, com jogadores de origem negra em suas equipes. Adão Lima, que jogou no Grêmio de 1925 a 1935, é um dos exemplos. Na década de 40, Hélio e Mário Carioca são outros casos de afro-descendentes nas equipes tricolores, assim como o atacante Hermes da Conceição, que jogou no clube de 1947 a 1950. Ele foi o autor de um
dos gols da vitória do Grêmio, 3 a 1, sobre o Flamengo, no Maracanã, em 1950, na primeira vitória gaúcha no maior estádio do mundo e acabou vendido ao Flamengo logo em seguida. O lendário goleiro Eurico Lara, vindo do E.C. Uruguaiana para o Grêmio em 1920, era mestiço e de origem humilde. Ele atuou no tricolor até 1935, foi ídolo da torcida e acabou
imortalizado por Lupicínio Rodrigues na letra do hino do clube”

“Cadernos de História” do O Memorial do Rio Grande do Sul, ” Futebol Gaúcho”
http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/futebol.pdf

“Na verdade o Grêmio já utilizara em sua equipe jogadores considerados ‘baianos’. Isto é, homens com algum traço biológico negro, mas com predominância branca na sua aparência física. Exemplo disso foi o jogador Mário Carioca, que formou ala de zaga com Mauro, na década de 40”.
“tesourinha” de Sérgio Endler

“O meio campista Hermes, por exemplo, era negro”
“A História dos Grenais” David Coimbra e Nico Noronha

Adão em 1926:

Hermes em 1950, com a camisa do Flamengo:

3. André K. - 4 abril, 2008

personalidades do esporte, como pelé, luxemburgo e felipão, falaram que o caso do grafite era normal

Fosse tão sensivel a questão racial o jogador nao deveria permitir ser chamado de ‘grafite”

“Testemunha fala em acordo entre polícia e São Paulo

LUÍS FERRARI
DA REPORTAGEM LOCAL

Grafite decidiu dar o pontapé inicial na acusação de injúria por racismo contra Leandro Desábato a partir de uma pressão da cúpula são-paulina, segundo Eduardo Sorrentino, amigo do atacante que depôs contra o argentino.
“Agora queremos abafar o caso. Houve o problema [a ofensa no gramado e a expulsão de Grafite], então o doutor Nico [delegado que fez a prisão] achou com a diretoria [do São Paulo] fazer isso [a prisão]. Mas quem está sendo prejudicado agora é o Grafite”, disse Sorrentino, ontem, à Folha.
Ao contrário do que fez o delegado da polícia, que negou enfaticamente a informação, o advogado do São Paulo José Carlos Ferreira Alves evitou comentários.
“Não tenho notícia de nenhum acordo entre a diretoria e a polícia. Isso tem que ser indagado ao Juvenal Juvêncio”, afirmou ele, passando a bola para o diretor de futebol do clube do Morumbi.
Em vão, a reportagem tentou entrar em contato com Juvêncio no Chile, para onde ele viajou com a delegação para o jogo contra a Universidad de Chile pela Libertadores. Além do diretor, outros membros da cúpula são-paulina -Marcelo Portugal Gouvêa, João Paulo de Jesus Lopes e Marco Aurélio Cunha- também não foram achados em Santiago.
Primeira pessoa a falar com Grafite após sua expulsão, um dirigente são-paulino disse, sob a condição de não ser identificado, que não relatou nenhuma reclamação do atacante contra Desábato e revelou que o jogador só mudou de posição após ter sido instigado por Juvêncio. O atleta nega. Disse que a decisão de acusar o argentino partiu dele.
Sorrentino afirmou ainda que não deve se retratar do testemunho apresentado na delegacia e desmentido por ele mesmo.
A outra testemunha que teve o depoimento contestado, o jornalista Fabio Bolla, assessor e amigo de Grafite, diz que conversará com advogados antes de tomar uma atitude, mas não descarta retificar o que afirmou à polícia. “Leitura labial é interpretativa. Acho que não cometi falso testemunho, mas posso me retratar.”
Prestar informações falsas em investigações é crime, previsto no artigo 342 do Código Penal. O delito é qualificado se destinado a produzir provas em processo penal -nesse caso, a pena é de reclusão de dois a seis anos e multa.
A lei determina ainda que, se o autor do falso testemunho se retratar antes da sentença, o fato deixa de ser punível.
Dejar Gomes Neto, titular da delegacia seccional oeste da capital paulista e responsável pela investigação, diz que aguarda a perícia oficial (pedida ao Instituto de Criminalística) das imagens de TV usadas para acusar o argentino antes de eventuais medidas contra as testemunhas. “Mas a reportagem publicada hoje [ontem] pela Folha será juntada à investigação, para ver se, em tese, ocorreu outro crime”, disse ele.”
Folha de São Paulo – 22 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2204200528.htm

4. André K - 4 abril, 2008

Desábato xingou em português, diz laudo

Perícia de professoras de surdos, para quem o argentino disse “negrinho” a Grafite, é usada para comprovar injúria

KLEBER TOMAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

LUÍS FERRARI
DA REPORTAGEM LOCAL

A polícia concluiu ontem o inquérito do caso Grafite após perícia não-oficial da fita do jogo São Paulo x Quilmes, feita por três professoras de deficientes auditivos, atestar que o zagueiro argentino Leandro Desábato ofendeu em português o atacante são-paulino, chamando-o de “negrinho” no dia 13 de abril, no Morumbi, pela Taça Libertadores.
“Essa era a prova que faltava”, diz o delegado seccional Dejar Gomes Neto, que enviou ontem o inquérito que acusa Desábato de injúria racial qualificada, cuja pena vai de um a três anos de reclusão, para o Fórum Criminal.
Para o caso ir adiante, Grafite precisa formalizar a queixa. Isso feito, o inquérito vira processo e será analisado pelo juiz.
A Folha procurou Rossana Marina Marques, Ana Cláudia dos Santos Camargo e Monica Royg, professoras da escola municipal de educação especial Helen Keller, na Aclimação, responsáveis pela análise. Uma delas argumentou, na condição de não ser identificada, que elas são formadas em pedagogia, habilitadas em audiocomunicação e que, por conta da ética do intérprete, não falariam.
A polícia só levou a fita para ser periciada na escola ao saber que o resultado do laudo do Instituto de Criminalística foi inconclusivo. O documento do IC, assinado por Daniela Mieko Abe e José Osmar Bercelli, atesta que, pelo fato de se ver “apenas movimentos labiais desprovidos dos respectivos sons”, não foi possível “decifrar palavras ou expressões eventualmente declinadas pelos jogadores”. O instituto também alega que “não dispõe de metodologia para exame de leitura labial”.
A análise feita pelas professoras também é contrária à posição de especialistas que, em reportagem publicada pela Folha no dia 21 de abril, foram unânimes em contestar a versão das testemunhas na delegacia. Na ocasião, disseram ter identificado apenas a sílaba “inho” na boca do zagueiro argentino, que na fita tem o rosto empurrado pela mão de Grafite.
“O laudo da escola não vale. O Desábato não fala português. Em tese é falsa perícia. O próprio IC não teve elementos”, diz Carlos Mendes, advogado de Desábato.” Folha de São Paulo, sábado, 14 de maio de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1405200509.htm

Galvão Bueno fala e fecha fase de depoimentos

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

E DA REPORTAGEM LOCAL

O depoimento do locutor Galvão Bueno, colhido anteontem pela polícia, foi a última prova testemunhal do inquérito que investigou os xingamentos de Desábato contra Grafite. Galvão, que narrou São Paulo x Quilmes, disse que teve “a impressão de que o argentino Desábato proferiu a palavra negro”.
Galvão havia sido intimado a depor em 25 de abril, mas faltou por conta de sua agenda. Para que isso não se repetisse, a polícia o abordou na sede da Globo, em São Paulo, um dia antes da nova apresentação. “O Galvão é a principal testemunha”, justificou o delegado Dejar Gomes Neto.
A perícia da fita feita pelo Instituto de Criminalística aponta que Galvão falou que “ele [Desábato] fica de frente pro Grafite e diz: “Negro!'”. O IC atesta que as ofensas não foram captadas pelos microfones em campo. (KT E LF) Folha de São Paulo, sábado, 14 de maio de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1405200510.htm

5. André K - 4 abril, 2008

PAINEL FC

Amnésia…
Um cartola do São Paulo conversou antes de Juvenal Juvêncio com Grafite no vestiário, quarta, e diz que ele não se queixou de provocações racistas de Desábato. Só lamentou sua expulsão e foi repreendido.

…momentânea
Logo depois, interrogado por Juvêncio, diretor de futebol, lembrou detalhes da provocação feita pelo zagueiro.” Folha de São Paulo segunda-feira, 18 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1804200501.htm

6. André K - 4 abril, 2008


PAINEL FC

Raridade
Casos como o do zagueiro Desábato são pouco comuns. Em 2004, só quatro pessoas cumpriram penas em SP por crime de injúria qualificada, o mesmo que o argentino é acusado de ter cometido contra Grafite. Nos quatro, foram aplicadas penas alternativas, não de reclusão.

Ex-amigos
Antes da confusão, Grafite e Desábato trocaram camisas no jogo na Argentina. Depois, o zagueiro do Quilmes rasgou elogios ao brasileiro. “É um jogador muito forte e rápido”
Folha de São Paulo, sexta-feira, 15 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1504200501.htm

7. André K - 4 abril, 2008

MEMÓRIA

Até hoje, ofensas raciais no Brasil ficaram no campo

DA REPORTAGEM LOCAL

O argentino Desábato sofreu uma punição nunca aplicada a outros jogadores acusados de ofensas raciais nos gramados brasileiros.
A lista tem gente famosa, como Paulo Nunes e Diego, jogadores de times médios, como Wellington Paulo, e até outro atleta com passaporte argentino, Frontini.
Em 1999, quando defendia o Palmeiras, Paulo Nunes foi acusado por Rincón, então no Corinthians, e Vágner, na época no São Paulo, de insultos raciais em jogos.
Três anos depois, foi a vez de o santista Diego estar no centro de uma polêmica. Segundo jogadores do Corinthians na época, como Kléber e Renato, ele teria chamado os rivais de “macacos” em jogo do Brasileiro-02.
Na atual temporada, outros dois casos aconteceram. Em Minas Gerais, o zagueiro Wellington Paulo, do América, fez ofensas racistas a André Luiz, do Atlético-MG. Ele não foi preso, mas recebeu um gancho esportivo de 30 dias da federação local.
Antes de Grafite, o São Paulo já havia tido um jogador seu envolvido em um caso de suposto racismo. O zagueiro Fabão acusou Frontini, que nasceu em Buenos Aires -mas chegou ainda criança ao Brasil-, de tê-lo chamado de “macaco” no confronto entre o time do Morumbi e o Marília.
Com tantos casos ignorados, nem todos os jogadores negros aplaudem o ocorrido com Desábato. “Foi uma atitude errada do jogador do Quilmes, mas a atitude que fizeram contra ele também foi. Não é só no campo que acontece isso, em todo lugar tem racismo, na esquina, no shopping. Deveriam tomar essa atitude com todos os que têm preconceito”, disse Betão, do Corinthians. (PC)
Folha de São Paulo sexta-feira, 15 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1504200515.htm

8. André K - 4 abril, 2008

Presidente do Quilmes diz que jornalista e comerciante trocaram abraços com policiais e comeram pizza na delegacia

Amigos de Grafite foram testemunhas

KLEBER TOMAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Duas pessoas ligadas ao atacante Grafite, 26, do São Paulo, foram suas testemunhas no boletim de ocorrência feito no 34º Distrito Policial que resultou no indiciamento do zagueiro argentino Leandro Desábato, 26, do Quilmes, sob acusação de crime de injúria qualificada.
Especialistas ouvidos pela Folha dizem que a lei não veta amigos de serem testemunhas de acusação, mas, conforme o caso, a defesa pode usar isso para questionar a idoneidade dos testemunhos.
Coincidentemente, ontem o presidente do Quilmes, Daniel Razetto, declarou ao diário argentino “Clarín” que as testemunhas de Grafite -o jornalista Fábio de Freitas, o Bolla (assessor de imprensa do atacante), e o comerciante Eduardo Sorrentino (amigo do são-paulino) -comiam pizza e trocavam abraços com policiais que estavam na delegacia, na madrugada da última quinta-feira, dia da ocorrência.
“Vieram aos abraços e comeram pizza com os policiais. Tiramos as fotos disso com nossos celulares”, disse Razetto, que, como outros cartolas da equipe e também os jogadores, considera uma armação a prisão de Desábato.
“Cada vez fica mais claro que essa história estava orquestrada e que se aproveitaram do Quilmes porque é uma equipe jovem”, declarou o volante Almeyda, após chegar na Argentina.
“Quando chegamos ao estádio havia bandeiras contra o racismo. E alguns jogadores usavam pulseirinhas contra o racismo”, acrescentou o goleiro Pontirolli.
Razetto fez ainda outra acusação. “As testemunhas admitiram não ter ido ao campo. Disseram que estavam vendo a partida pela televisão e que haviam decifrado os insultos racistas através do movimento de lábios de Desábato.” Essa versão consta no inquérito.
Cristiano Maronna, advogado do argentino, disse desconhecer a declaração de Razetto, mas adiantou que “a análise da legalidade da ação policial cabe aos órgãos competentes, como Corregedoria da Polícia e Ministério Público”.
As testemunhas negaram a versão da pizza. “O único que comeu na delegacia foi o Desábato: esfihas. Ainda tomou uma garrafa de soda”, disse Bolla, que admitiu ter cumprimentado os policiais.
“Como comer pizza numa situação daquelas? Também não abracei homem. Eu gosto é de mulher”, declarou Sorrentino.
Guaracy Moreira Filho, delegado titular do 34º DP, recebeu com tranqüilidade a acusação de Razetto. “Isso é besteira. Agora vem esse presidente e fala isso”, defende Guaracy, que não estava na delegacia na ocorrência, feita pelo plantonista Roberto Moraes.
Desábato chegou anteontem a Buenos Aires, depois de ficar pouco mais de 36 horas preso. Ele foi enquadrado no artigo 140 parágrafo 3º, do Código Penal, que prevê pena de reclusão de um a três anos e multa. Segundo depoimento de Grafite à polícia, Desábato o chamou de “negro de merda, filho-da-puta, negrinho”.
Desábato negou, mas admitiu ter sugerido que o atacante pegasse “a banana e enfiasse no c…” -teriam lhe dito que o são-paulino celebraria com gesto de “banana” caso fizesse gol no Quilmes.
Folha de domingo, 17 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1704200524.htm

9. André K - 4 abril, 2008

Para dirigentes e imprensa, insulto foi coisa normal de jogo e o erro de Desábato foi desconhecer a diferença cultural

Argentinos lamentam vítima de exagero

SILVANA ARANTES
DE BUENOS AIRES

A detenção no Brasil do jogador Leandro Desábato, sob acusação de racismo, foi tratada na Argentina como um exagero e uma manobra de marketing do país.
“Eles [os brasileiros] querem liderar essa onda antidiscriminatória no esporte. Somos vítimas de exagero”, declarou o dirigente do Quilmes José Luis Meiszner ao canal de TV “Todo Noticias”.
“Quer dizer que a prova é a leitura labial? Agora os jogadores terão que ficar calados em campo?”, comentou o apresentador.
O presidente do Quilmes, Daniel Razzetto, afirmou que a detenção do atleta estava armada. O presidente da AFA (Associação de Futebol Argentina), Julio Grondona, seguiu a mesma linha e disse que houve “certa intencionalidade” no episódio.
“Culparam alguém que não tem absolutamente nada a ver com isso. Esse menino, Desábato, eu o conheço, é um homem do interior”, afirmou Grondona.
De acordo com o presidente da AFA, a entidade intercedeu pelo jogador na Justiça brasileira para tentar obter sua liberdade.
No hotel em que estava hospedada a delegação do Quilmes, os argentinos passaram o dia ontem evitando a imprensa enquanto disparavam telefonemas pedindo ajuda para libertar o jogador.
À noite, chegaram a descer ao lobby do hotel e ligar o ônibus do time, mas decidiram só deixar o país com Desábato -cerca de um terço da delegação já havia voltado à Argentina pela manhã.
Em uma das poucas vezes em que quebrou o silêncio, o técnico Gustavo Alfaro disse à rádio “Eldorado”, sem permitir a gravação, que estava se sentindo discriminado por ser argentino.
Da Alemanha, onde está em visita oficial do presidente Néstor Kirchner, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, ligou ao embaixador argentino no Brasil, segundo Razzetto. O Ministério não confirmou nem negou a informação.
Diferentes versões apareceram nas rádios e TVs argentinas sobre o que Desábato teria dito a Grafite. As principais variações foram “negro filho da puta”, “negro de merda” e “lixo de negro”.
A maioria dos jornalistas argentinos classificou a atitude do atleta como “insulto normal em jogos de futebol” e cujo teor racista é “parte do comportamento argentino”. O principal erro de Desábato, na interpretação deles, foi desconhecer a “diferença cultural” e, sobretudo, as legislações sobre o racismo dos dois países. A brasileira é considerada muito dura.
“Sabemos que o Brasil não tem “low profile” neste tema [racismo], por isso estamos muito preocupados”, afirmou Meiszner.
A atenção que a imprensa brasileira dispensou ao fato também foi alvo de crítica dos argentinos.
“Isso aqui está uma confusão. A imprensa do Brasil está sendo sensacionalista. Há dezenas de câmeras e até helicóptero aqui [na delegacia]”, afirmou o jornalista Gérman Belize, que estava em São Paulo, à rádio “Mitre”.
O locutor do programa “Vitamina G”, Jorge Guinzburg, ironizou: “Mas no Brasil sabem que na Argentina ninguém conhece Desábato?”. Guinzburg também perguntou ao repórter se o jogador argentino ocupa uma cela sozinho. “Só falta que ele esteja numa cela junto com uns “moreninhos” que fiquem sabendo o motivo de sua prisão”, disse.
As edições eletrônicas dos principais jornais argentinos não deram destaque à prisão de Desábato. Diferentemente do que aconteceu no Brasil, o assunto não ocupou a manchete nem sequer as principais chamadas.
Ao longo do dia, o termo “racismo” deixou os títulos. A notícia passou a ser apresentado como: “Jogador argentino detido por chamar um rival de “negro”.”
O embaixador da Argentina no Brasil, Juan Pablo Lohlé, considerou “exagerada” a prisão. “Em jogos de futebol, todos xingam todos.” Lohlé defendeu que o jogador pedisse desculpas. Na sua opinião, Desábato não tinha a obrigação de saber que qualificar as pessoas como “negras” é considerado ofensa no Brasil.
Folha de São paulo sexta-feira, 15 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1504200511.htm

10. André K - 4 abril, 2008

“Politicamente correto” irrita vizinhos

DE BUENOS AIRES

“Detenção de 36 horas por um insulto. É tremendo”, disse o apresentador de TV Sergio Hendler, ao noticiar para a Argentina a liberação, em São Paulo, do jogador Leandro Desábato.
O comentário do jornalista resume a interpretação que prevaleceu na imprensa argentina do episódio -exagero brasileiro.
“[A detenção de Desábato] é um despropósito típico da mania politicamente correta”, disse o escritor Martín Caparrós, torcedor do Boca Juniors e autor do recém-lançado livro sobre o centenário do clube, “Boquitas”.
A “mania politicamente correta”, segundo Caparrós, “consiste em se horrorizar muito com coisas menores e nada com as que realmente merecem”. O escritor afirmou que seria interessante verificar “quantos ministros negros há no governo Lula, que se indignou tanto” com o caso Desábato.
A suposição argentina de que a detenção do jogador esconde segundas intenções das autoridades é citada pelo jornal “Clarín”. O diário “Olé” avaliza a versão dos dirigentes do Quilmes de que foi uma operação “armada”.
“As autoridades argentinas não conseguem entender o que há por trás disso. Há 15 dias, o Brasil estremeceu pela matança de 30 pessoas no Rio. As vítimas eram negras e foram executadas por grupos parapoliciais do Estado. A sensação que domina os argentinos é que houve oportunismo com Desábato”, diz o “Clarín”.
Em texto para o “Olé”, o jogador argentino Sebastián Dominguez, que atua no Corinthians, afirma: “Os brasileiros têm muitos problemas com o racismo e fazem pouco para resolver. Talvez essa confusão tenha a ver com o fato de que [Desábato] é argentino. Já me chamaram de “argentino de merda” e nunca reagi”.
A torcida do Quilmes convocou ontem, pelo site oficial do clube, uma marcha de protesto até a embaixada brasileira em Buenos Aires. Com o anúncio da libertação de Desábato, o protesto foi suspenso. “Mas a torcida do São Paulo vai passar a ter problemas aqui”, declarou à Folha Luis Alberto Sanchez, funcionário administrativo do Quilmes.
À tarde, a página do Quilmes esteve momentaneamente fora do ar, “por excesso de acessos”. (SA)
Folha de São Paulo, sábado, 16 de abril de 2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1604200512.htm

11. André K - 4 abril, 2008

“Apesar de Tesourinha, oficialmente, ser o primeiro, o Grêmio já havia contado, desde a década de 20, com jogadores de origem negra em suas equipes. Adão Lima, que jogou no Grêmio de 1925 a 1935, é um dos exemplos. Na década de 40, Hélio e MárioCarioca são outros casos de afro-descendentes nas equipes tricolores, assim como o atacante Hermes da Conceição, que jogou no clube de 1947 a 1950. Ele foi o autor de um dos gols da vitória do Grêmio, 3 a 1, sobre o Flamengo, no Maracanã, em 1950, na primeira vitória gaúcha no maior estádio do mundo e acabou vendido ao Flamengo logo em seguida.
O lendário goleiro Eurico Lara, vindo do E.C. Uruguaiana para o Grêmio em 1920, era mestiço e de origem humilde. Ele atuou no tricolor até 1935, foi ídolo da torcida e acabou imortalizado por Lupicínio Rodrigues na letra do hino do clube.

“futebol gaúcho” – “Cadernos de História” – do Memorial do Rio Grande do Sul.
http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/futebol.pdf

“Na verdade o Grêmio já utilizara em sua equipe jogadores considerados ‘baianos’. Isto é, homens com algum traço biológico negro, mas com predominância branca na sua aparência física”
“Tesourinha” de Sérgio Endler

“O meio campista Hermes, por exemplo campeão naquele 49, era negro”
“A História dos Grenais” David Coimbra e Nico Noronha

Adão em 1926:

Hermes em 1950 (com a camisa do Flamengo):

12. Um câncer no futebol mundial « - 11 abril, 2008

[…] Um câncer no futebol mundial 11 Abril, 2008 Posted by reporteresportivo in Uncategorized. trackback No princípio, futebol não era esporte de negros. Seja no Inter, no Grêmio, no São Paulo, no Corinthians, no Flamengo ou no Vasco. O Bangu foi o primeiro clube a formar um time com jogadores ‘de cor’, pois os funcionários negros da fábrica dona do time eram melhores que os diretores brancos. Em 1923, o Vasco da Gama foi campeão da segunda divisão carioca com um time formado majoritariamente por negros e mulatos. O fato provocou revolta nos aristocráticos clubes da primeira divisão, que exigiram a expulsão dos 12 atletas negros presentes no elenco cruzmaltino. O Vasco não aceitou. Separou-se dos grandes clubes e juntou-se aos pequenos. Dois anos depois, os grandes clubes perceberam o potencial do atleta negro, abriram seus elencos e aceitaram novamente o Vasco na sua liga. Continue lendo. […]

13. TORCIDA INDEPENDENTE - 12 fevereiro, 2009

VOCES GAUCHO SAO GAYS ENRUSTIDOS!

GREMISTAS… CHOREM, POIS O SÃO PAULO É HEXA!

LIXOS… VEADOS E AINDA PRECONCEITUOSOS!

MERECEM SE FODER… ARERE GAUCHO DA O CÚ E FALA TCHE!

TORCIDA TRICOLOR INDEPENDENTE

14. 5ª Edição « - 20 junho, 2009

[…] escrita pelo argentino Manuel Podestá. Também nesta edição, a RE volta polemizando com Luís Felipe dos Santos abordando o racismo no futebol e Felipe Prestes tratando sobre a homofobia no esporte. Luís Felipe também escreve a coluna: Pela […]

15. kleber jose de santana - 3 outubro, 2010

quem sou eu: COMUNIDADE DESTINADA AOS FÃS E ADMIRADORES DO FUTEBOL DESSE GRANDE MEIO-CAMPO DO TIMÃO
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NOME:kleber jose de santana
DATA DE NASCIMENTO:22/03/1987
LOCAL DE NASCIMENTO:resende
IDADE:23 anos
ALTURA:1,75 m
CAMISA:11
JOGOS:55
GOLS:9
CLUBES:categorias de base do corinthians,meninos unidos do laranjeiras
TÍTULOS:campeonato brsileiro sério c (2006),campeonato paulista (2009)e copa do brasil (2009)
HISTÓRIA:kleber chegou ao TIMÃOpela primeira vez em 2006,após se destacar no PAULISTÃO daquele ano pelo SPORTparticipou do BRASILEIRÃO e depois do rebaixamento deixou o TIMÃO para voltar a seu ex-clube em 2009,tem a oportunidade de far a volta por cima por indicação de luis ….
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camisas de futebol importadas de todas os clubes do mundo
camisas com numero e nome dos jogadores e patches

LOJA:www.importadasfutebol.com.br
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local: meninos unidos do laranjeiras, jd.iguatemi – SP
Brasil
relacionamento: solteiro(a)
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eu tenho orkut,clubekleber11@hotmail.com
ou msn,josedesantana@hotmail.com
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minha está é surdo+ouvi mais para tudo muito pessoeas fomoso clube-23 só futebol campo tenho conheceu minha vida q bom…


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