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Os caminhos e descaminhos de um basquete decadente

Felipe Prestes (felipenprestes@gmail.com) 

Os brasileiros mais jovens talvez não tenham ficado estarrecidos ao assistirem a derrota da equipe masculina brasileira no Pré-Olímpico Americano de basquete – realizado em Las Vegas, no mês de agosto – e a iminência de ficarmos fora de mais uma Olimpíada. Isso porque se confirmada a provável eliminação brasileira no Pré-Olímpico Mundial – a ser realizado em julho de 2008, em local ainda não definido – será a terceira vez consecutiva que ficamos de fora dos Jogos Olímpicos, fato mais do que normal para quem começou a acompanhar basquete nos últimos dez anos.  

A derrota para a Argentina, mesmo desfalcada de alguns dos seus principais jogadores, também não é surpresa. Os argentinos são os atuais campeões olímpicos e o basquete dos hermanos vem subindo muito nestes anos negros para a modalidade no Brasil. Além disso, a preparação brasileira para a competição foi prejudicada por atrasos de jogadores, e alguns atletas insubordinaram-se ao treinador, Lula Pereira, já durante a disputa. “Faltaram ideais aos jogadores”, é a opinião de Carlos Nunes, presidente da FGB (Federação Gaúcha de Basketball).  

José Francisco Manssur e Flávio R. Franco publicaram artigo no Blog do Juca (http://blogdojuca.blog.uol.com.br) intitulado “O Grego não chora”, em que apontam o presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basketball), Gerasime Bozikis, o “Grego”, como o culpado pela derrota brasileira no Pré-Olímpico. Ele não teria dado respaldo a Lula para que se tomassem medidas disciplinares necessárias. Além de Lula, outros grandes treinadores do basquete brasileiro, como Hélio Rubens, teriam derrocado à frente da seleção, pois Bozikis não teria autoridade moral para estar no cargo que ocupa. Contestavam assim a possibilidade da contratação de um treinador estrangeiro, aventada logo após a eliminação da equipe.  

Independentemente da bagunça que marcou a passagem brasileira em Las Vegas, é preciso ir mais a fundo e tentar entender por que um país com tradição no basquete masculino, que conquistou dois campeonatos mundiais e foi três vezes medalhista de bronze em Olimpíadas, vem há anos agonizando na modalidade. E como após a última grande conquista brasileira, nos Jogos Pan-Americanos de 1987, derrotando uma boa equipe estadunidense, em Indianápolis, acenava-se um novo crescimento do nosso basquete, com a geração de Oscar e Marcel, que não só não ocorreu, como as gerações conseguintes protagonizaram grandes fracassos no cenário internacional. 

Para tal questionamento, o artigo de Manssur e Franco também aponta para o comando da CBB. Cita denúncias feitas pelo diário Lance! que dão conta de troca de favores para conseguir os votos que vêm mantendo Bozikis no comando da Confederação há dez anos e diz que “Grego não quer largar o osso, mesmo que seja à custa da maior decadência da história do basquete brasileiro bicampeão mundial”.  Além disso, o artigo acusa Grego de sabotar a Nossa Liga de Basquete, tentativa frustrada – durou apenas uma temporada – de criar uma liga paralela de basquete no Brasil, capitaneada por nomes como Oscar, Paula e Hortência.  

Envolvido com o basquete desde 1967, Paulo Murilo, também faz críticas à CBB.  “O pessoal da Confederação está se lixando para o nosso basquete, quer é se manter lá”, é a opinião do professor aposentado da UFRJ, técnico atuante no basquetebol, e doutor em Ciências do Desporto pela FMH (Faculdade de Motricidade Humana), de Lisboa. Além disso, o Prof. Paulo Murilo – como é conhecido – possui o blog Basquete Brasil (http://paulomurilo.blogspot.com), onde escreve artigos visando discutir a atualidade do esporte no país, buscando um “possível soerguimento técnico”.

Murilo acusa a CBB de escolher os treinadores de forma política: “Nos últimos vinte anos só houve treinadores paulistas. A Federação Paulista exige o comando da vice-presidência técnica para apoiar a candidatura dos que estão lá”. Ele defende que os estados de maior participação em campeonatos tenham mais votos (hoje cada federação estadual tem direito a um voto): “É um absurdo que em um país de 180 milhões de habitantes, só vinte e sete pessoas escolham o presidente da Confederação”. A possibilidade da escolha de um treinador estrangeiro para a seleção principal também é refutada pelo técnico: “Eles querem colocar isso como uma panacéia. Com os 300 mil reais por mês, que seria o mínimo pedido por um grande treinador estrangeiro, daria para construir e manter quadras esportivas, ou contratar treinadores para a base, para vir aqui ensinar”. 

A base, aliás, é considerada essencial para o professor. Em longa conversa com o Repórter Esportivo, fez uma análise mais profunda e não se ateve aos fatos ocorridos em agosto, mas aos últimos vinte anos.  A questão estaria centrada na fraqueza, para não dizer inexistência, do nosso desporto colegial: “O professor subsiste no Brasil”. Ele conta que 70% dos colégios do estado do Rio de Janeiro não possuem sequer quadras esportivas, enquanto que nos EUA e nos países europeus esta é uma questão central para o desenvolvimento do esporte, o mesmo ocorrendo na Argentina. Outra característica comum aos países que crescem no basquete são as associações de técnicos fortes, às quais Murilo atribui grande importância.

Segundo o professor, a situação do nosso basquete não era tão grave até os anos oitenta por que os clubes iam bem. Só na cidade do Rio de Janeiro mais de 30 clubes praticavam o basquete, um esporte que carece de local para ser praticado. “Os clubes hoje têm quermesses, desporto que é bom não têm”, lamenta. Além disso, os investimentos no basquete nacional teriam caído após a chegada da NBA na televisão aberta e o fim das transmissões de nossos campeonatos. O vôlei, por exemplo, teria um aporte cada vez maior de investimentos privados e seria praticado em toda a orla brasileira. Paulo Murilo, contudo, não vê nos investimentos privados uma solução, mas na melhoria da educação brasileira e na soma de esforços entre federações e Confederação que queiram realmente tirar o basquete brasileiro da situação atual.

O já citado Carlos Nunes tem, como presidente da Federação Gaúcha, direito a voto nas eleições para o comando da CBB. Ele apóia a atual presidência, mas faz a ressalva de que haverá eleições em 2009 e que vai analisar as propostas. Nunes reconhece que há problemas estruturais e diz que estudiosos do basquetebol brasileiro como Paulo Murilo têm que sentar e debater com a Confederação: “Criticar é muito fácil”, afirma. Quanto ao formato das eleições, Nunes discorda de Murilo: “No vôlei e no futebol também é um voto por federação e eles estão ganhando tudo”.

Além disso, o presidente da FGB também vê certa parcela de omissão dos clubes. Perguntado sobre o racha entre CBB e grandes ex-jogadores que originou a Nossa Liga em 2005, Nunes tem opinião surpreendente: “Eu era a favor das ligas, lamento que o Oscar tenha jogado a toalha. Quanto mais basquete se faz melhor, tentei criar ligas regionais no RS e ninguém quis fazer. Acho bom os clubes tratarem dos próprios campeonatos, embora eu pense que não tenham competência para fazer. Aí eu acho que eles parariam de só olhar pro próprio umbigo”.  

Dentre querelas envolvendo clubes, dirigentes, treinadores e atletas fica uma certeza: o desenvolvimento do desporto colegial no Brasil – caminho apontado pelo Prof. Paulo Murilo – faz-se necessário não apenas para um futuro do basquetebol masculino no país, ou para as práticas esportivas em geral, mas pode trazer inúmeros (e tão óbvios) benefícios para nossa sociedade. Em entrevista à revista Istoé (edição 1969), durante os Jogos Pan-Americanos, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, mostrou sua preocupação com este tema (http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1969/artigo56263-1.htm). Espera-se que algo seja feito neste sentido o mais rápido possível, seu Ministro. E um pouco mais de democracia nas nossas confederações dos mais variados esportes também não faz mal a ninguém. Ou faz?

Comentários»

1. Felipe S. Franke - 26 setembro, 2007

Não entendo do assunto, mas parece que a estrutura do esporte no Brasil, entendendo-o como negócio, investimento e área de cuidado por parte de entidades públicas e privadas, está muito mal. O clubes de futebol não são deficitários, à mercê de empresários e dos clubes europeus? O tênis também é outro exemplo: teve em Guga uma espécie de messias, que unia glamour mediático, simpatia profissional na Associação dos Tenistas Profissionais e altíssimo desempenho nos torneios internacionais; e hoje, passada mais de meia década da Era Guga, não temos atletas entre os 100 primeiros do Ranking e o Brasil volta à divisão Regional da Copa Davis, após ser duramente derrotadó pela Áustria, país mediano no esporte. Será que o vôlei vive uma situação diferente, talvez encabeçada pelo épico Bernardinho? Peço que os entendidos no assunto se manifestem.

2. reporteresportivo - 27 setembro, 2007

Fipa,

Nosso tênis é uma pauta interessante. Me lembro que quando o Guga ganhou o primeiro Roland Garros todos os meus amigos começaram a jogar tênis, tínhamos uns doze, treze anos… Ninguém seguiu carreira, porque tinha “mais o que fazer”, afinal de contas. Donde concluo que é preciso que aqueles que não tenham “mais o que fazer”, ou seja, tenham poucas oportunidades na vida, comecem a praticar este esporte. Me parece que já tem alguns projetos nesse sentido espalhados pelo Brasil, vamos ver se dão frutos.

Abraço, Felipe Prestes

3. Rudson da Costa Almeida - 27 março, 2009

Por que o Basquete nacional masculino teve essa decadencia nesses ultimos anos, e não se classificou nas duas ultimas olimpiadas.

juliana cristina amancio bueno - 28 setembro, 2011

simples pq ele nao presta ue

4. Basquete brasileiro: agora vai? « Da Cidade - 7 maio, 2009

[…] o ensejo para relembrar matéria que escrevi em 2007  e que, modéstia parte, gostei bastante. Na ocasião, conversei por telefone […]

5. 2ª Edição – É hora de continuar « - 20 junho, 2009

[…] mais de um mês do pré-olímpico de basquete, Felipe Prestes buscou respostas para o fracasso da seleção brasileira. Através de especialistas no jogo, ele aborda as razões que levaram à decadência de nosso país […]

6. brener roger - 9 outubro, 2009

por que o basquetebol no brasil e cadente

brener roger - 9 outubro, 2009

por que o brasil não pesa no basquetebol mais no futebol no volleibol e por que tanbem naum tei recursos
valeu mando beijo pra min mesmo pq eu sou bunito de mais urur

7. coco - 9 outubro, 2009

cala sua a boca! sua bosta!

NÊeeh - 9 outubro, 2009

o basquete hoje esta em ma administraçao…

desconhecido - 9 outubro, 2009

o brasil é uma decadência pura no basquetebol. vixe maria.. ah credoO Q MERDA KKKKKKKKKK

8. Efigenia - 9 outubro, 2009

kkkkkkkk noffaa comooo é gatinho ein vai se acha assim la longe ow ! HAHAHAHAHAHA GARRANHÃOO DA MADRUGADAA ! HEHEHE adoreii o comentario de cima cala sua boca seu bosta !

9. desconhecido - 9 outubro, 2009

o basquete precisa de novos administradores.. huhu cala boa seu bosta..raheii.. vai ser feioo.. bjokas

10. gonorreia - 9 outubro, 2009

kkkkkkkkkk

11. virginia - 9 outubro, 2009

oiiiiiiiii….vem aki smp?? gata

12. Efigenia - 9 outubro, 2009

oii

13. yasmim - 1 março, 2012

aqui qual e os atuiais clubes de alex garcia,danillo augusto torrez,josé roberto lux,muilto olaio,marcelo cavalcante rodrigues


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