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Zapeando um pouco de futebol internacional

Felipe Prestes (felipenprestes@gmail.com) 

Andei assistindo algumas partidas de futebol internacional neste fim-de-semana as quais achei interessante comentar. Primeiro o Campeonato Alemão, que mais uma vez me mostrou que pode ser surpreendente a quem vai na onda de que o típico futebol alemão seria frio e ríspido – imagem reducionista também muito atribuída no Brasil ao povo alemão. Talvez o fato de os alemães terem conquistado duas Copas do Mundo em cima de equipes mais brilhantes – a Hungria de Puskas, em 1954, e a Holanda de Cruyff vinte anos depois – tenha ofuscado o bom futebol de um Gerd Muller, um Beckenbauer ou de um Mathäus.

Os alemães praticam, e sempre praticaram, um futebol técnico e, embora atravessem entressafra de grandes craques, ainda há por lá bons jogadores germânicos, como também há cada vez mais bons jogadores estrangeiros. Mas a grata surpresa que o espectador pode ter a respeito do futebol alemão e que as duas partidas que assisti – Schalke 04 e Karlsruher no sábado, e Bayern e Nuremberg no domingo – mais uma vez me confirmaram o que já pensava é que as equipes alemãs têm jogado um futebol aberto, franco, que busca o gol a todo momento, ao contrário do que se vê atualmente nos campeonatos Espanhol e Italiano. Parece que na Bundesliga os jogadores têm tido mais liberdade para se moverem dentro do campo que nos outros campeonatos referidos.

Além disso, os clubes alemães de um modo geral têm crescido financeiramente e algumas equipes médias e pequenas vêm qualificando bem seus plantéis. Prova disso é que o poderoso Bayern teve que se contentar com vaga na Copa da UEFA para esta temporada. O Bayern, aliás, fez investimentos de peso para que isso não se repita. Trouxe destaques da última Copa do Mundo, como Luca Toni, Ribéry e Klose, além de contar com a volta de Zé Roberto. No domingo, passeou em cima do Nuremberg, vencendo por 3 a 0 e apresentando belo futebol.

Se o Nuremberg contraria o que disse sobre a qualificação das equipes, o Karlsruher, é o exemplo mais claro disso. Na vitória por 2 a 0 fora de casa sobre o Schalke – time que disputa a Champions League nesta temporada – mostrou um futebol técnico e muito veloz nos contra-ataques, e ainda quebrou a invencibilidade do adversário. O atacante alemão Christian Timm marcou os dois gols e mostrou inteligência, velocidade e boa técnica, como também foi importante a figura do meio-campista húngaro, Hajnal. O resultado alçou a equipe – que volta da segunda divisão nesta temporada – à segunda colocação, somente atrás do mesmo Bayern.  

Recomendo.   

 * * * 

Também tive a oportunidade de assistir ao primeiro tempo do superclássico entre River e Boca. Grande jogo! Vi uma superação física e recursos técnicos como pouco tenho visto no Campeonato Brasileiro – claro eram dois grandes clubes em campo. Mas também vi um clássico aberto, o que raramente se vê nos clássicos paulistas e gaúchos.

Destaque para a bela atuação do River, ao menos até onde vi, ou seja, no primeiro tempo, quando fez os dois gols que definiram o placar. Com uma defesa segura, foi brilhante do meio para frente em muitos momentos. A atuação do velho Ariel Ortega, ele mesmo(!), foi simplesmente sensacional. O craque que não deu certo parece mesmo recuperado do alcoolismo. Deu dribles desconcertantes, lançamentos, passes e lutou muito, além de ter marcado um gol de pênalti. Acompanhado de Belluschi e da promessa Bonanote – de apenas dezesseis anos – o jogo do River fluiu.

Na área, o colombiano Falcão Garcia foi o que bastava, dando muito trabalho à defesa do Boca e marcando um golaço. Fique de olho: o centroavante, que havia marcado três gols na partida de volta da Sul-Americana contra o Botafogo, foi convocado para o selecionado colombiano que enfrenta o Brasil no dia 14 de outubro.

É necessário, contudo, ressalvar que a defesa do Boca Juniors decaiu muito em relação à da conquista da Libertadores. Com as negociações do zagueiro Diáz e do lateral Clemente Rodríguez, Morel Rodríguez foi deslocado para a vaga de Clemente na esquerda e o miolo de zaga agora é Maidana, que não é o mesmo que atuou no Grêmio, e Paletta. A nova dupla vem demonstrando baixíssimo nível técnico. Além disso, o meio-campista Gracián definitivamente não chega aos pés de Riquelme, e o Boca vem tendo dificuldades para municiar os atacantes Palacio e Palermo.    

Comentários»

1. Eduardo Guimarães da Silva - 8 novembro, 2007

Não é o futebol alemão que é bom, mas seus euros que possibilitam a compra de jogadores bons. Obviamente o mercado alemão esta voltado para o segundo escalão de jogadores internacionais, mas que são muito melhores que todos os jogadores alemães. Recentemente Carlos Eduardo foi contratado por um time da segunda divisão. Este jogador provavelmente estaria na seleção alemã caso fosse germânico. Veja como a disparidade de qualidade dos jogadores estrangeiros frente aos alemães é absurda. Nesta mesma linha penso o campeonato espanhol, ou tu vai me dizer que o melhor campeonato do mundo é o espanhol pela qualidade dos jogadores espanhóis? Ou do inglês pelos jogadores britânicos? Óbvio que não, estes campeonatos estão recheados de jogadores do terceiro mundo que sustentam toda a qualidade futebolística da Europa.

2. reporteresportivo - 10 novembro, 2007

Eduardo,

O que eu quis dizer é que o Campeontao Alemão é melhor de se assistir do que o Espanhol, por exemplo. Por que as equipes jogam mais abertas e o nível das equipes médias é bom. E também acho que o futebol alemão tem qualidade subestimada hoje em dia devido a entresafra de grandes craques, mas a gente esquece que há, sim, bons jogadores alemães e que provavelmente isso é uma fase por que a Alemanha já produziu muitos craques.

Abraço

3. reporteresportivo - 10 novembro, 2007

Completando o raciocínio, quando tu disseste que o Terceiro Mundo sustenta a qualidade do futebol europeu, creio que tem um pouco de egocentrismo dos brasileiros aí em relação ao futebol. O Liverpool foi campeão da Champions League recentemente sem nenhum jogador terceiromundista de destaque. O Brasil levou um laço da França na Copa, a Argentina perdeu para a Alemanha e, claro, o São Paulo, por exemplo, bateu o Liverpool, então quer dizer que não há nem uma coisa nem outra. Nós, brasileiros, africanos e argentinos, não somos os únicos que produzimos bons jogadores. Eo futebol europeu também não é superior ao nosso.

Abraço

4. 3ª Edição « - 20 junho, 2009

[…] Como sempre, também marcam presença as colunas de nossa equipe. Luis Felipe dos Santos fala da sempre conflituosa relação treinador-torcedor. Felipe Prestes faz uma análise de jogos internacionais que chamaram sua atenção no fim de semana. […]


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