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Racismo e Homofobia

Felipe Prestes

Diante do caso dos skinheads que fariam parte de uma torcida do Grêmio e que foram presos por agredirem um punk – ocorrido no final de 2007 – a torcida Camisa 12, do Internacional, passou a exibir uma faixa nas partidas do Colorado no Beira-Rio com os dizeres “Clube do Povo Contra o Racismo”. Embora a atitude possa ter sido tomada mais para alfinetar o rival, que ainda não conseguiu enterrar de vez os ecos do passado racista, eu, sentado na arquibancada assistindo à partida contra o América-RN, válida pelo Campeonato Brasileiro – gostava do que via.

Foi quando encontrei o Andrezão, um parceiro que estuda Ciências Sociais, e que, embora seja colorado fanático, tinha uma visão muito mais crítica sobre a tal faixa. “Esses caras (da torcida organizada) ficam falando contra o racismo, mas são uns homofóbicos”, disse ele. Concordei plenamente. E não creio que isso se restrinja apenas às organizadas.

As questões raciais sempre estiveram presentes no futebol, seja para que a segregação se manifeste, seja como um ambiente que, muitas vezes, é propício à integração e à igualdade. Há no futebol, no entanto, e em grande parte dos esportes, quase um consenso – um tanto absurdo, diga-se – de que a virilidade necessária para a prática desses esportes está condicionada à opção sexual dos praticantes.

Essa visão distorcida gera uma série de cânticos que tratam o homossexualismo como ofensa a torcedores e atletas dos times rivais. Em todas as partidas de clubes como Grêmio e Internacional milhares de pessoas, não importando o nível de educação, cantam em alto e bom som tais cânticos, esquecendo sabe-se lá onde os direitos humanos e o respeito ao próximo.

E o pior é que o problema não se dá apenas entre os torcedores. No caso recente que ocorreu com o jogador são-paulino Richarlysson, ouviu-se pela imprensa – não me recordo da boca de quem, nem se foi da própria imprensa ou de dirigentes, ou jogadores, senão daria nome aos bois – coisas do tipo: “Richarlysson não é homossexual, eu confio no seu caráter”. Ou: “Não é ele, ele é um excelente profissional”. É como se o caráter do ser humano estivesse condicionado a uma opção sexual dominante.  

Enfim, percebe-se que no meio futebolístico ainda não há constrangimento para quem é homofóbico, nem sequer uma frente de batalha para acabar com tal prática, como já há com o racismo. Espero aqui contribuir para que se discuta tal tema e faço uma sugestão às tantas torcidas organizadas espalhadas pelo Brasil que se dizem de esquerda: comprem essa causa, parem de entoar cânticos homofóbicos.

 

Comentários»

1. André K. - 4 abril, 2008
2. Racismo e Homofobia « - 11 abril, 2008

[…] Diante do caso dos skinheads que fariam parte de uma torcida do Grêmio e que foram presos por agredirem um punk – ocorrido no final de 2007 – a torcida Camisa 12, do Internacional, passou a exibir uma faixa nas partidas do Colorado no Beira-Rio com os dizeres “Clube do Povo Contra o Racismo”. Embora a atitude possa ter sido tomada mais para alfinetar o rival, que ainda não conseguiu enterrar de vez os ecos do passado racista, eu, sentado na arquibancada assistindo à partida contra o América-RN, válida pelo Campeonato Brasileiro – gostava do que via. Continue lendo […]

3. 5ª Edição « - 20 junho, 2009

[…] nesta edição, a RE volta polemizando com Luís Felipe dos Santos abordando o racismo no futebol e Felipe Prestes tratando sobre a homofobia no esporte. Luís Felipe também escreve a coluna: Pela vivência completa do […]


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