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As férias frustradas da dupla Gre-Nal

Atlético-GO faz festa no Olímpico. Foto: ClicRBS

Em 2007, o Internacional foi eliminado pelo Nacional, na Libertadores, e pelo Veranópolis no Gauchão. Entrou de férias. Em 2008, o Grêmio seguiu o mesmo caminho, após cair para Juventude e Atlético-GO. Qual semelhança pode ser colocada entre as duas crises dos maiores clubes gaúchos?

Em ambos os casos, as férias forçadas foram surpreendentes. No Inter, porque 2006 fora um ano glorioso; no Grêmio, porque o time estava invicto e foi eliminado das duas competições com apenas duas derrotas. A dupla também deve muito dos seus fracassos à falta de rumo na direção de futebol, nos dois anos. Em 2007, o Inter mudou o poder do clube sem querer mudar – elegeu Vitório Píffero por aclamação, deslocou Giovani Luigi da administração para o vestiário, manteve Abel Braga e todo o seu plantel. Luigi passou os quatro primeiros meses do ano sem cacarejar no poleiro de Abel, que aparentemente acumulou as funções de treinador, diretor de futebol e mestre de cerimônias – a cada semana, uma festa pelo título mundial.

Neste ano, o Grêmio teve o vestiário comandado por Pelaipe, que esteve muito perto de sair no final do ano passado, graças a uma longa suspensão do STJD diminuída posteriormente. Até o final de 2007, Mano Menezes era o principal comandante, fechando o vestiário e os treinos quando queria, colocando os seus bruxos em campo, pedindo contratações. Tinha moral para isso, por levar o time dos Aflitos à disputa da América. A aposta em Mancini não agradou ao dirigente, que trouxe Roth, treinador de personalidade igual à sua. Roth, entretanto, chegou com o time formado, o que deixa bem claro que Pelaipe tinha bem mais poder neste ano.

Em 2007, Veranópolis elimina Inter. Foto: Lancenet

O fracasso de 2007 foi debitado na conta de Abel, demitido, mesmo que todos tenham negado isto na época. Luigi resolveu assumir o poleiro, expurgou os preferidos de Abel – inclusive Gabiru – e proclamou “aqui quem manda sou eu”. O fracasso de 2008 está sendo debitado na conta de Pelaipe, que se demitiu. Roth cambaleia, Tite espia pela janela e Odone tenta apagar o incêndio criado.

Comparando os casos, parece que a decisão tomada pelo Grêmio está sendo mais acertada do que a decisão tomada pelo Inter no ano passado. A demissão de Abel, embora tenha sido óbvia pelas escolhas absurdas – Michel no lugar de Alexandre Pato contra o Vélez, p.ex – significou uma tentativa frustrada de reestruturação do futebol colorado. Gallo foi contratado, os jogadores mais experientes fizeram cara feia e ele caiu logo depois. O Grêmio não tem jogadores com autoridade para apitar nas decisões estruturais do clube, logo, a reestruturação do futebol a partir da demissão de Pelaipe será menos conturbada. Além do mais, a influência de Pelaipe no vestiário demonstra ser negativa nos momentos decisivos recentes. As inexplicáveis brigas com Valdivia e o Atlético Paranaense no último ano resultaram em derrotas que comprometeram a classificação do clube à Libertadores. O descontrole emocional do time tricolor no segundo tempo contra o Juventude não ajudou em nada no resultado.

O Grêmio não cairá

Nilmar marca gol em Tavarelli, em 2004. Foto: Correio do Povo

Os mais pessimistas comparam esta crise do Grêmio com a de 2004, ano em que o clube foi humilhado no campeonato gaúcho e rebaixado no nacional. De fato há alguns elementos semelhantes, como a falta de foco da presidência no futebol e a precariedade técnica do time. Acredito que as semelhanças páram por aí. Odone não tem a cabeça surreal de Flávio Obino, tanto que abraçou a crise e está determinado a procurar todas as soluções possíveis. Além do mais, neste período em 2004 o Grêmio perdia o grenal que decidia o primeiro turno do Gauchão. Ou seja: ainda tinha taças para disputar, alguma esperança nos comandantes de então existia. Hoje, a terra arrasada faz todos os gremistas conscientes refletirem sobre mudanças profundas, o que tende a ser muito positivo para o clube.

Outra mudança percebida é a ausência de ‘cardealismo’. Na década de 90 e início dos anos 2000, todas as crises eram resolvidas como “assuntos de economia interna”. As decisões não saíam do mesmo grupo, a imprensa não tinha acesso às informações mais relevantes. Isso foi bastante benéfico quando os times eram bons, o treinador era ótimo (Felipão) e havia bastante dinheiro para resolver o problema. Em 2004, porém, uma das razões atribuídas para o fracasso do Grêmio era o excesso de zelo no tratamento das crises mais graves.

Em 2008, não há esse zelo. Os dirigentes estão na mídia, opinando sobre o departamento de futebol e sobre contratações. Paulo Pelaipe expõe publicamente a sua divergência com Tite e demonstra com dados financeiros as suas acusações. Os balancetes estão nas colunas de Hiltor Mombach e Wianey Carlet. O torcedor tem uma base sobre os prejuízos e consegue imaginar onde serão realizadas as ações, assim tendo base para focar as cobranças necessárias.

Isso leva a crer que este Grêmio está blindado a outros grandes fracassos, como uma eventual queda à segunda divisão. Um time que permaneceu invicto por tanto tempo, por mais que tenha graves limitações técnicas, pode ser trabalhado a fim de obter vitórias.

Favorito para assumir o Grêmio. Foto: Agência Estado

Tite

Com a demissão de Paulo Pelaipe, foram abertas as portas do Olímpico para Adenor Bachi. Há problemas financeiros, dívidas, rancores e desconfianças. Tite, porém, é competente, gosta do Olímpico e tem capacidade para fechar um vestiário conforme as suas idéias de futebol. O Grêmio, atualmente, não precisa de outra coisa. É mais fácil encontrar um treinador que consiga orientar os anseios da equipe do que um dirigente. Mesmo os cotados para o cargo sabem que é difícil rivalizar com a dedicação de Paulo Pelaipe.

Luís Felipe dos Santos (luisfelipe@gmail.com)

Comentários»

1. As férias frustradas da dupla Gre-Nal « - 11 abril, 2008

[…] As férias frustradas da dupla Gre-Nal 11 Abril, 2008 Posted by reporteresportivo in Uncategorized. trackback  Em 2007, o Internacional foi eliminado pelo Nacional, na Libertadores, e pelo Veranópolis no Gauchão. Entrou de férias. Em 2008, o Grêmio seguiu o mesmo caminho, após cair para Juventude e Atlético-GO. Qual semelhança pode ser colocada entre as duas crises dos maiores clubes gaúchos? Continue lendo. […]

2. maricosta - 11 abril, 2008

Acredito que o maior problema do Grêmio AINDA seja a mentalidade deles. Dedicação e competêcia são coisas diferentes, um time que vai tirar férias forçadas durante 1 mês não poderia se dar ao luxo de ficar falando de um estádio novo. Para os gremistas, eles nunca caíram, mas para mim, nunca saíram de lá. “Grêmio imortal”? Para resolver as crises, é preciso reconhecer os problemas…

3. Vicente Fonseca - 25 abril, 2008

Bom, infelizmente li esta lúcida análise tardiamente, mas antes tarde do que nunca.

Também tenho a convicção de que o Grêmio não cairá, por um simples motivo: o time de 2004 era muito pior. Em nenhum momento daquele ano esboçou se tornar um time razoável que fosse. Perdia todos os Gre-Nais que disputava, levava sufoco do Glória de Vacaria…

Este time de 2008 mostrou alguns lampejos de poder se tornar um time até competitivo, mas sofreu com as lesões e a falta de grupo. Reforçando com qualidade (e não mais em quantidade), dá para beliscar uma Sul-Americana, o que é pouco, mas TRANQÜILO, pelo menos.

4. João Coimbra - 28 abril, 2008

Muito boa a matéria, Luís, mas pela falta de críticas a Roth, vê-se que és colorado. Cada dia com Roth é perdido para o Grêmio. Não se pode esperar o começo do Brasileirão para demitir esse BURRO. Qualquer técnico com mínima inteligência tática, noção de futebol, não fazia esse FIASCO que o Grêmio fez agora. Podem por um pouco na do Pelaipe, mas não adianta, quem arma, quem escala o time é o treinador. Por isso uso este honroso espaço para continuar minha campanha como gremista apaixonado que sou: FORA CELSO ROTH, E ANTES DO COMEÇO DO BRASILEIRÃO, senão o desepero começa a bater, pois não sei não se mesmo com o Tite o Grêmio não cai…ESSAS FIGURINHAS CARIMBADAS NÃO DÃO. Contrata o cara do Guaratinguetá, o do Inter SM, ou chama de novo o Mancini. Vamo GRÊMIO, A GERAL VAI SEMPRE TE APOIAR, MAS FAZ UM FORÇA


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