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a arte e o técnico

Felipe Prestes

Muitos jornalistas mais antigos vêm criticando o que chamam de “futebol feio” que seria praticado nos dias de hoje. De fato, dos tempos do “glorioso” Botafogo, de Garrincha, ou do Santos, de Pelé, para os dias de hoje tivemos mudanças na preparação física das equipes e no aspecto tático, que tornaram os espaços no campo muito reduzidos e que dificultam o drible e as tabelas curtas. Por outro lado, as cobranças que fazem aos treinadores taxados de “retranqueiros” é tão enfadonha quanto inútil.

Primeiro por que a beleza é subjetiva e para os jovens torcedores pode não ser muito bela a lentidão do futebol de trinta, quarenta anos atrás. Futebol além de arte é também disputa; raça e vitalidade também são valores apreciados por muitos. Os torcedores se dividem em lados, em bandeiras, cores e querem vencer.

Segundo, por que se ninguém utiliza mais o 4-2-4, se a preparação física e tática sobrepuja a preparação técnica desde a base é por que isto foi uma imposição dos novos tempos. Isto por que, no aspecto tático, é muito provável que se há uma equipe de qualidade razoável que não dá espaços à outra e que tem um contra-ataque forte, esta ganhe de uma que dá espaços ao adversário, mesmo que a última tenha qualidade técnica superior. No aspecto físico, é óbvio que todos os clubes e seleções tem de buscar a melhor preparação possível.

Estes críticos poderiam, por exemplo, cobrar da FIFA que se reduza o número de jogadores, ou que se aumente o tamanho dos campos. Eu defendo uma discussão mais ampla sobre esse tema nos próximos anos, visto que, sim, adoro um drible, uma ginga. Só não se pode é cobrar dos treinadores que estes joguem para perder.

E é muito fácil falar que é preferível perder jogando “bonito” como teria feito a seleção brasileira de 82 – discussão retomada com a coincidência entre os 25 anos daquela Copa do Mundo e a vitória dos comandados de Dunga na Copa América. Contudo, aquele time é lembrado por que venceu partidas, inclusive tendo derrotado a Argentina com facilidade (como Júlio Baptista e sua turma). Se perder jogando “bonito” é melhor que vencer jogando “feio”, então a partida fatídica de Sarriá deveria ter sido celebrada pelo povo brasileiro e não considerada uma tragédia.

Além disso, a seleção sempre terá espaço no coração do torcedor, mas os clubes vivem de vitórias e os treinadores são pagos para vencer. Um Telê Santana teve que vencer muito no futebol para que pudesse chegar à seleção e ser reconhecido mesmo nas derrotas. Todos queremos ver mais jogadas bonitas, mas pedir aos treinadores que percam é um tremendo absurdo.

* * *

Dói mesmo é ver a saída de tantos jogadores para o exterior. O Campeonato Brasileiro realmente carece de qualidade, e isto pode ser percebido pelo “chuveirinho”. Os clubes ingleses, cada vez mais ricos, vêm abandonando cada vez mais essa prática. Enquanto isso, o Campeonato Brasileiro tem se tornado um festival de “chuveirinhos”. Os inúteis cruzamentos são dados cada vez mais longe da linha de fundo – muitos nem são realizados das laterais do campo, mas pelo centro, retos. Depois reclamam do pobre centroavante que tem de cabecear de costas para o gol. Pelamorededeus, linha de fundo!

 

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Comentários»

1. Eduardo - 16 agosto, 2007

meu guri, tu como um bom colorado tinha tinha que preferir o futebol bonito. Esse papo furado de raça e garra é coisa de gremista. Tu só esta esquecendo nesse comentário que jogar bonito não perde jogo, pelo contrário e segundo é que, quando alguém fala que no Brasil se jogue bonito, é para considerar que apenas querem que o lateral chegue ao fundo. Pelamordedeus


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