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Um papo com Larry

Por Luís Eduardo Gomes (luisgomes_86@yahoo.com.br) e Mariana Costa (mariana.bcosta@yahoo.com.br)

 O entrevistado desta vez da sessão Atletas do Passado é o grande Larry Pinto de Faria, que jogou no Internacional de 1954 a 1961. Neste período, ele marcou 180 gols, o que o coloca como quinto maior artilheiro da história do Internacional. Nesta conversa com a Repórter Esportivo, Larry fala sobre o seu início no Fluminense, as Olimpíadas de 52 e, obviamente, sua passagem e sua relação com o Colorado. O Cerebral, como era conhecido, também conta sobre a relação com Bodinho, com quem formou uma lendária dupla lembrada até hoje. A conversa, que durou mais de uma hora, aconteceu apenas uma semana após a morte do eterno companheiro de Larry.

 RE – Como foi o início de sua carreira no Fluminense?

Larry – Eu comecei a jogar futebol na minha terra, Nova Friburgo, no Rio. Lá eu joguei nas diversas categorias do Friburgo F.C. Ali fui, gostava de futebol, numa época que tinham muitas áreas abertas, muitos terrenos, se podia jogar muito futebol. Então, a partir daquilo eu fui indo, de mascote para infantil, para juvenil. E um dia o Fluminense foi jogar em Friburgo, em 1950. Eu embora fosse jovem ainda, tinha 16 para 17 anos, eles me colocaram no selecionado da cidade. Acabei jogando, e bem. O Fluminense então me convidou para que eu fosse ao Rio de Janeiro jogar nos juvenis. Ali eu comecei, em 1950, minha carreira como jogador. Inicialmente como juvenil. Logo em seguida eu fui da seleção carioca de juvenis que disputou um torneio nacional, contra Minas Gerais, São Paulo e Estado do Rio – porque naquela época o Rio ainda era o Distrito Federal. Ali eu fui campeão juvenil, depois eu fui para as Olimpíadas de Helsinque em 52.

 RE – O senhor já tinha um destaque na época? 

L – Já. Quer dizer, acho que sim. Lá na minha cidade eu já estava em um momento de ascendência, porque era muito jovem ainda. O futebol naquela época era um pouco mais abrutalhado do que é hoje. Futebol mais puxado, então eu ainda era um pouco franzino. Mas aí, no Fluminense eu realmente me consolidei. Depois eu fui para as Olimpíadas, onde joguei ao lado do Vavá, Humberto Tozzi, etc.

 RE – E como foi essa passagem pelas Olimpíadas? Como era participar de um evento tão grande para um menino? Você tinha 20 anos na época? 

L – Não. Eu estava com dezenove anos. Aconteceu um negócio interessante. Naquela época, nas Olimpíadas não se podia jogar o profissional, era proibido. Se soubesse que um jogador era profissional, o país dele talvez fosse prejudicado em uma série de coisas. Então, o Brasil pretendia ir às Olimpíadas de 52, mas a única saída que ele tinha era colocar jogadores juvenis, amadores. E aí ele colocou dois jogadores que não eram juvenis, mas eram amadores. Um era militar, que foi um zagueiro chamado Valdir, que jogou no Palmeiras, jogou no Flamengo. Porque o militar não podia assinar contrato, e ele como tal podia ser considerado amador. E o Jansen, que era um ponta-esquerda do Vasco, que nunca quis ser profissional, ele sempre foi amador. O resto era uma gurizada. O Zózimo, que depois foi jogador de Seleção Brasileira, o Carlos Alberto Cavalheiro, goleiro, o Mauro, que era zagueiro, Humberto Tozzi, Vavá, eu, o Evaristo, todos esses acabaram participando das Olimpíadas, que foi um momento fantástico da minha vida. Puxa vida, participar de umas Olimpíadas. Porque naquela época era o seguinte, à exceção de Portugal, Inglaterra, França, os demais países iam com as equipes principais. A Hungria, por exemplo, foi com Puscas, Koczis, aquela turma toda.

 RE – Eram os países comunistas, não é? 

L – Países comunistas, Iugoslávia… Nós ganhamos de 4×1 da Holanda, na cidade de Kotka (o jogo foi na cidade de Turku), marquei dois gols. Depois ganhamos de Luxemburgo. Depois jogamos contra a Alemanha. Nós estávamos ganhando de 2×0, empataram o jogo, foi para a prorrogação. Nós tínhamos jogadores pisados. A Alemanha acabou nos vencendo na prorrogação, senão ficaríamos entre os quatro. Na verdade ficamos em quinto lugar nas Olimpíadas, foi um resultado fantástico. Foi um resultado tão bom que na volta eles nos deram três dias para passear em Paris por conta da CBD, na época não tinha CBF.

 RE – E como acontece a sua passagem do Fluminense para o Internacional? 

L – Acontece o seguinte, eu jogava no Fluminense e ganhei o campeonato de juvenil, ganhei o de aspirantes, e o treinador da equipe principal do Fluminense se chamava Zezé Moreira, que depois foi até treinador da Seleção Brasileira de 54, queria que o centroavante jogasse dentro da área. Eu não sabia jogar assim. Eu jogava nos aspirantes, que era um time maravilhoso, e o treinador do time, o Gradin, mandava: joga da maneira que você gosta. Eu jogava recuado, como sempre joguei, porque eu não era um jogador de área. Eu fui artilheiro nos juvenis, nos aspirantes. Quer dizer, fui sempre artilheiro. Mas o Zezé queria, então eu participei de alguns jogos pelo Fluminense. Nós fomos à Colômbia, para inaugurar o campo Atanasio Girardot – onde o Grêmio depois jogou em Medellín -, nós jogamos em Belo Horizonte, contra o Atlético. Eu ainda guri, ainda juvenil. Quando o Zezé foi para a Copa em 54 ele disse: “Olha Larry, eu vou emprestá-lo para Internacional de Porto Alegre. Lá o futebol é mais competitivo, eu acho que você vai voltar bem melhor”. Eu vim para cá, essa foi a razão de ter vindo, porque eu continuaria no Fluminense sem problema nenhum.

 RE – Como foi o seu início no Inter? Depois o senhor veio a ser comprado… 

L – Aí aconteceu um caso que bem revela o que era na época o problema do jogador de futebol. Eu ia vir para o Internacional emprestado. Eu cheguei a Porto Alegre, imediatamente fui uma coisa fora do comum. Joguei alguns grenais, marquei gols. Na inauguração do Olímpico eu marquei quatro gols. Eu tinha feito dois gols antes. Em suma, em três grenais eu tinha feito sete gols.

 RE – Em seu primeiro ano? 

L – É, logo que eu cheguei. E aí o que acontece? A figura do empréstimo não existia. Na verdade eu assinava um contrato com o Internacional, e Internacional e Fluminense tinham um contrato de gaveta. Se o Fluminense me quisesse de volta, era só rasgar o documento e pronto, eu tinha que voltar. Mas aí o Fluminense estava muito à procura de dinheiro. E como eu era um jogador juvenil, aspirante, eles conseguiram me vender por um ótimo dinheiro, na época, para o Internacional. Mas eu não fui avisado, em 54. Para ver como era bem escravo o negócio. Aí chegou 55, eu estava no auge. Fui o melhor jogador do campeonato gaúcho de 55. Estava namorando, depois fiquei noivo, ia casar no final de novembro. Aí eu disse para o Internacional: ‘Olha, eu queria dizer para vocês que quero ficar em Porto Alegre, gostei muito daqui. Eu vou me casar no Rio, minha esposa é carioca. E então eu volto’. Ai eles me disseram: “Olha Larry, mas você já é nosso jogador desde o ano passado”. ‘Desde o ano passado?’, eu não sabia. Eu não fiquei sabendo de nada. Hoje isso aí seria uma coisa assim….mas foi minha sorte também, porque me adaptei muito bem. Casei, vieram os filhos aqui, gaúchos, netos gaúchos, e agora uma bisneta gaúcha.

 RE – A pergunta inevitável: a sua parceira com o Bodinho, como foi? Foi imediata, vocês foram se entrosando jogo a jogo ou demorou um pouco? 

L – Acontece o seguinte, naquela época a marcação era um pouco diferente, era individual. Se jogava atacando muito. O Bodinho tinha uma qualidade, ele sabia o que eu ia fazer. Ele intuitivamente sabia. Por exemplo, jogava uma bola na linha média, eu já sabia que ele ia disputar com o quarto-zagueiro e ia bater de cabeça por cima dele. Então eu atravessava por trás do quarto-zagueiro para poder pegar a bola. E quando eu pegava a bola, ele já fazia a volta. Então, muitas jogadas foram assim. Outra, é que ele sabia fazer muita tabela, ou seja, toca aqui e sai para receber. Hoje em dia isso se torna um pouco mais difícil porque as defesas são muito fechadas, muito compactadas. Então, o Bodinho tinha uma série de qualidades e eu tinha outras qualidades que se completavam. É por isso que ele fez muitos gols, eu também fiz muitos gols apesar de ter sido um jogador mais de servir os outros. E o Bodinho acabou se transformando, no meu entendimento, no maior goleador da história do Rio Grande do Sul. Em termos proporcionais, claro. O Bodinho jogou 260 partidas pelo Internacional e fez 230 gols, mais ou menos. Quase que um gol por partida. Eu marquei 180, no mesmo número de jogos. Quer dizer, muitos gols. É como se amanhã ou depois você trabalhasse numa empresa e convocasse ela para trabalhar contigo. De repente vocês se dão conta que entrosaram bem. Ela tem a percepção de o que você vai fazer como empresário, como chefe. Então, é mais ou menos uma coisa assim, dando uma explicação um pouco mais simples. Eu encontrei o Bodinho, que era um cara com quem eu me adaptava muito bem. Tudo o que ele fazia, eu sabia. Eles sabiam que quando eu pegava a bola, todo mundo corria para procurar um espaço, eu ia dar a bola num dos buracos que apareciam na defesa. E o Bodinho era o mais inteligente, porque era o que mais aparecia nesses buraquinhos que aparecem na defesa.

 RE – Qual o relacionamento pessoal que o senhor teve com ele? 

L – Tive um relacionamento pessoal muito bom com ele, com a família dele, com a esposa dele, a Teresinha, com a filha dele, ele tem duas netas. O Bodinho, depois que deixou o futebol, ele inicialmente trabalhou na prefeitura. Depois ele foi para a Caixa Estadual, onde eu também trabalhei. Eu fiz um concurso para a consultoria técnica, passei e aquela coisa toda. O Bodinho não tinha muita instrução, então ele ficou num cargo mais baixo. Mas nós nos dávamos muito bem, sempre que possível falávamos, telefonávamos. Eu tenho o telefone dele, ele mora na Praça Garibaldi. Um relacionamento muito bom.

 RE – O senhor compareceu no enterro dele? 

L – Compareci. Eu acho que eu fui um dos primeiros a ser chamado lá na clínica geriátrica. O corpo dele ainda tava quente quando eu botei a mão nele. Ele tava sofrendo muito sabe. Ele tinha um problema de família, que todo mundo na família dele morria de câncer de próstata. Então ele ficava muito preocupando com aquilo. Ele acabou pegando Alzheimer, e começou um processo de não comer, agora na fase final não comia, quase não andava. Quer dizer, já estava bem desgastado. Aí o coração, segundo a esposa dele, não agüentou. Aí ele morreu. (Pausa).

 RE – Se fosse escolher um momento mais emocionante na sua carreira de jogador, qual seria? 

L – Bom, eu tive dois momentos na minha carreira que foram fantásticos. O primeiro deles foi obviamente o Gre-Nal de inauguração do estádio Olímpico. O Internacional venceu de 6 a 2, e eu marquei quatro gols. Ali foi um momento fantástico, porque isso aí é uma coisa que as pessoas ainda falam. Já se passaram 51 anos e ainda falam nesse Gre-Nal. E a outra foi o Pan-Americano do México que nós ganhamos. Foi também uma coisa fora de série. Ganhamos da Argentina. Quebramos um tabu, até então o Brasil não ganhava competições fora do Brasil com a presença da Argentina. Se a Argentina estivesse presente o Brasil não ganhava, desde que o futebol foi criado no Brasil. E a Argentina foi completa naquele Pan-Americano e mesmo assim nós ganhamos, com uma seleção gaúcha, em 56.

 RE – E como torcedor, qual foi o momento mais emocionante? 

L – Como torcedor foi a conquista do Mundial agora, foi a coisa mais importante, embora o Internacional tenha tido resultados extraordinários. Por exemplo, o Internacional é o único clube brasileiro que é campeão invicto, isso aí é uma coisa muito difícil de conseguir. Os clubes estão tentando, mas passa ano e não se consegue. A outra foi a conquista também da Recopa, três conquistas consecutivas – Libertadores, Mundial e Recopa.

E o Pan-Americano, porque ali eu fui convocado para a Seleção Brasileira. A minha participação foi tão boa que eu fui convocado para jogar em uma excursão para a Europa de 45 dias. Eu, recém casado, fiquei 90 dias longe da mulher praticamente, coisa de louco. Eu casei em novembro de 55, logo em seguida vieram os treinamentos para o Pan-Americano, 45 dias. Depois eu fui para o México mais 40. Voltei e em seguida fui para a Europa mais 45 dias.

 RE – Sobre o Pan-Americano. Na época o futebol gaúcho era desconhecido da mídia nacional do eixo Rio-SP. O Brasil tinha disputado semanas antes um Sul-americano e tinha perdido, e aí vai uma seleção gaúcha desconhecida e ganha, como é que aconteceu? 

L – Foi o seguinte. Em janeiro de 56, aconteceu um campeonato Sul-americano em Montevidéu, que correspondia ao que é hoje a Copa América. E o Brasil estava com uma equipe praticamente completa e perdeu. Sendo que perdeu de 4×1 do Chile. E aí quando voltou, nós estávamos numa briga – a federação – porque queríamos que os gaúchos fossem os representantes do Brasil. A CBD na época tinha um problema. Teve o campeonato Sul-americano em janeiro, em fevereiro teve o Pan-Americano e depois teria a excursão à Europa. Então, eles queriam colocar os gaúchos, porque aí aliviaria para o pessoal dos outros lugares. Mas o centro do país não queria, Rio e SP começaram a debochar, porque entendiam que o futebol gaúcho não tinha condições de representar o futebol brasileiro. Aí nós acabamos por conquistar um título fantástico, que não teve aquela dimensão porque Rio e SP minimizaram o impacto daquela conquista.

 RE – E nessa época, era complicado para jogadores do RS chegarem à seleção brasileira, mesmo sendo melhores do que os jogadores do centro do País. Como era isso? 

L – Naquela época havia uma coisa interessante. Você para jogar na seleção precisa jogar em equipes de Rio e SP ou jogar bastante contra eles, para que você se torne conhecido. No caso do Rolo Compressor, que foi de 1940 até 1950 praticamente, o Internacional tinha um grande time. E esse time era chamado para jogar no Rio, em SP, Nordeste. Era o Tesourinha, tinha o Nena, o Ávila, Adãozinho. Esses jogadores, por poderem jogar fora daqui, alguns deles eram chamados. Por exemplo, Tesourinha de 45 foi titular da seleção brasileira, só não jogou a Copa do Mundo (de 50) porque teve uma lesão um mês antes. O Adãozinho sempre foi um reserva. O Ávila jogou algumas partidas na seleção e o Nena também. E o Grêmio teve anos atrás, na década de 30, o Luiz Luz, o zagueiro. Parece que o Luiz Carvalho, o centroavante, parece que também andou. Com o passar do tempo as equipes gaúchas tiveram a participar de campeonatos, inicialmente o Roberto Gomes Pedrosa. E então você jogava contra Rio e SP.Quer dizer, de repente você fazia uma jogada bonita, e o cara dizia: “Esse cara é bom, vou convocá-lo”. E isso não acontecia conosco, nós tínhamos muitas dificuldades de reconhecimento de Rio e SP, porque não havia como registrar. Não havia videoteipe, não havia televisão, não havia imagem em movimento. Então, era um pouco difícil de você conseguir um prestígio fora daqui. Embora, o Internacional nesse Rolo Compressor, tenha tido jogadores que chegaram. Tesourinha era o mais famoso deles, era titular absoluto da seleção brasileira.

 RE – E falando em prestígio, o senhor era uma celebridade na época? 

L – Eu era, a expressão talvez não seja correta, um jogador com um nível mais superior. Eu joguei algum tempo aqui, logo em seguida eu fui para a faculdade estudar, na PUC, que na época era no Rosário ainda. Casado, estudava à noite, e era vereador em Porto Alegre. Depois eu fui deputado por duas vezes, e fui secretário do município de Porto Alegre. Quer dizer, isso aí é um caldo que realmente fez com que eu me tornasse uma pessoa muita conhecida. Porque além do futebol eu tinha, penso eu, outras qualidades que acrescentavam uma popularidade.

 RE – Comparando com o futebol de agora. No passado parecia que era mais paixão, era vestir a camisa do time e era isso, do time. Hoje em dia, o jogador está no Inter, depois é chamado para jogar no Grêmio, e vai. Queria que o senhor me desse a sua opinião sobre o futebol atual.  

L – Eu acho o seguinte, isso daí, de certa forma, é uma deformação na ótica do que está acontecendo hoje em relação ao passado. Hoje não se pode dizer que o jogador não entra em campo para lutar com disposição pelo time dele. O que ocorre hoje em dia é um defeito dos jogadores que é essa coisa que o cara joga dois anos no Internacional e beija a camisa, vai para o Grêmio e beija a camisa. Mas não quer dizer que ele não corra. Há uma má colocação do que acontece com o futebol, e que hoje tem um problema que na minha época não tinha, que agrava essa situação, ou seja, na minha época ganhava pouco. Então, qualquer tipo de transferência era uma coisa um pouco complicada. Eu, por exemplo, muitas vezes tentaram me levar para Peñarol, Nacional, Vasco da Gama, Portuguesa, Corinthians, mas eu ganhava aqui bem, mas não era uma coisa assim. Hoje o jogador se tem 17, 18 anos e tá jogando bem, já tá ganhando 20, 25 mil. Então cria no espectador esse tipo de imagem, ‘ah, porque o jogador não quer correr’. Não, ele corre, tanto quanto na minha época. O problema que existe, que eu acho um agravante, é chegar e beijar a camisa. Não, não tem nada que beijar a camisa. Eu particularmente não faria isso. Eu tenho meu time, sei qual é.

RE – O senhor é colorado? 

L – Colorado. Claro que sou. Por exemplo, eu vi há um tempo atrás, o Internacional tinha um centroavante chamado Leandro. Ele veio aqui uma vez jogar com o Flamengo. Ele entrou em campo, daqui a pouco o Internacional fez 1×0. Foi lá e ele, Leandro, empatou o jogo. Qual foi a maneira dele comemorar? Ele não comemorou o gol, saiu andando, ao contrário dos demais jogadores. Na minha cidade no Estado do Rio. Eu tenho um irmão que jogou futebol no Flamengo. Foi bicampeão juvenil na década de 40, chamado Jael, jogador maravilhoso. E na nossa família, todos nos éramos Flamengo – depois que eu vim para cá eu mudei. E eu fui jogar no Fluminense. Eu disputei quatro vezes títulos contra o Flamengo. Em três deles, os resultados foram 2×0, 3×1 e 3×0, eu fiz todos esses gols. Então, isso só revela que o problema de gostar ou não, não precisa beijar a camisa, do Fluminense ou do Flamengo.

 RE – Voltando um pouco a sua passagem pelo Internacional. Você chega ao clube em uma época de vitórias, em 54, mas logo depois já começa um período de conquistas do Grêmio, como foi essa mudança? 

L – Isso tudo começou por uma razão. Quando eu cheguei aqui, o Grêmio estava terminando o estádio, que comparando ao do Internacional era uma coisa muito forte. O Internacional tava com aquele estadiozinho meio mixuruca, acabado. E durante esse tempo todo o Internacional ficou gastando pouco. Não procurando jogadores, vendendo. Eu, por exemplo, não saí porque não quis, tive algumas propostas. Houve uma diferença muito grande, o Grêmio com aquele estádio fantástico e o Inter com aquele campo lá. Então, o dinheiro de sustentação do Internacional estava muito fragilizado. Porque, e eu acho que até sabiamente, a direção do Internacional passou a desviar todos os recursos para o novo campo, quando foi escolhido o local na Beira-Rio. Aí então, parece que o foi o Brizola, em 1957, que destinou aquela área para o Internacional. Aí começou todo um trabalho de promoção do Internacional, que ia para o interior. Eu, por exemplo, ia para Taquara, para Gramado, para funcionar como um arrecadador do Internacional. Tendo à frente um José Pinheiro Borba, que foi o grande nome dessa força para construir o Beira-Rio. Aí quando veio o Beira-Rio, com dinheiro, é que começou uma vida mais forte.

 RE – E como foi o encerramento de sua carreira? O senhor pára no início dos anos 60? 

L – 61. Eu parei cedo, com 29 para 30 anos. Por uma razão, eu tava num processo de desgaste na minha vida. De manhã cedo eu tinha que ir para o Internacional treinar um pouco. Eu tava no Internacional fazendo contrato quase que de graça, trabalhando para o clube, ganhando pouco. Eles me pediam para jogar, porque começou a aparecer aquele negócio da substituição até os 43 minutos do primeiro tempo. Então eles diziam: “Você não precisa treinar muito, se a gente precisar de você, tu entra aos 43”. Então, eu treinava de manhã, de tarde eu ia para a Câmara de Vereadores e de noite eu ia para a faculdade.

RE – E depois que o senhor pára, qual a ligação que teve com o futebol? O senhor chegou a ser treinador? 

L – Não. Eu treinei futebol emergencialmente. Eu ia jogar até 62, porque me pediram, e aquele negócio de entrar até os 43 para não forçar muito. Eu fui chamado no Rio porque o meu pai tava mal. Ele ia morrer, quer dizer, ele morreu. Quando eu voltei para Porto Alegre, eu não queria mais jogar futebol. Como eu ainda tinha um contrato vigente, eu fui treinar os juvenis do Inter para dar uma cobertura. Fomos até campeões. Depois eu parei. Em 65, o Internacional tava atravessando uma crise daquelas. Não tinha dinheiro nem para comprar pão, era uma coisa terrível. Eles vieram em casa pedindo para eu treinar. E eu fui treinar o Internacional sem ganhar nada, de graça. E fiquei lá três meses para levar o time até o final, porque já estava 11 pontos atrás do Grêmio. Mas eu não tive a intenção de treinar. Eu trabalhei sim na imprensa. Fui comentarista, primeiramente da Rádio Gaúcha, depois da TV Gaúcha e depois fui para a Bandeirantes. Fiquei bastante tempo na Bandeirantes como comentarista. Participei da Copa de 78 como comentarista da chave da Argentina, que era a chave de Buenos Aires. Também parei porque eu to numa fase que o meu maior prazer é ficar em casa, ver os meus filhos, meus netos. Cada coisa no seu tempo.

 RE – E como comentarista, como é que você viu as mudanças no futebol, que foi ficando cada vez mais físico? Os técnicos foram priorizando cada vez mais a defesa.  

L – O futebol teve uma mudança muito grande por causa da preparação físico-atlética. Isso daí foi um fator fundamental.

 RE – Aproveitando, quando você jogava, quantos treinos físicos se faziam por semana? 

L – Não fazíamos muito. Treinávamos todos os dias, mas era muito mais treinamentos com bola. Daí talvez porque naquela época se tinha uma técnica um pouco mais apurada do que hoje em dia. Mas era mais treinamento com bola. Mas não havia preparador físico, na acepção da palavra. Isso começou a aparecer aqui no RS na década de 70, decorrente do Foguinho, o seu Osvaldo Rolla, que fazia um treinamento um pouco mais puxado, mas sem muita técnica no preparo. Até que surgiu por aqui um treinador que era oficial do Exército, que já tinha uma preparação físico-atlética reconhecida. Até que surgiu em seguida o Gilberto Tim no Internacional na década de 70, naquele time do Internacional, aí sim. Essa modificação fez o seguinte: na minha época se jogava confiando na habilidade – claro que tinha jogador de velocidade -, com o tempo os treinadores começaram a perceber o seguinte: “Pô, o Larry é um jogador assim, o Pato é um jogador assim, então vou botar um jogador em cima dele para marcar”. Para fazer isso o jogador tem que correr, tem que ser um atleta. Ele não precisa ser um bom jogador, ele tem que ser atleta, tem que correr, marcar, tem que chegar junto, não pode deixar o cara jogar. Então, essa foi a alteração, o futebol de uma fase mais técnica, mais bonita, vamos chamar assim, para uma fase mais de competitividade, de choque. E para fazer isso você tem que treinar o jogador. O jogador tem que chegar lá e passar o dia treinando. Eu estava vendo agora um jogo, Internacional de Santa Maria e Pelotas, puxa vida! Era chute para lá, chute para cá. E o cara vinha e dava peixada, uma confusão. Então, essa modificação no futebol foi toda ela decorrente dessa preparação físico-atlética.

 RE – E como o senhor se tornou vereador? É meio inusitado assumir um cargo ainda como jogador. 

L – Houve um aproveitamento da minha popularidade. Na época, em 59, quando houve a primeira eleição eu fui candidato e fui eleito vereador de Porto Alegre. Depois fui eleito mais três vezes.

 RE – Por qual partido? 

L – Na época eu fui pela UDN. Na época pré-revolucionário, vamos chamar assim, eu era da UDN. Tinha o Carlos Lacerda, etc, 1959. Depois eu fui deputado, também pela UDN. Depois veio a Arena, que era o meu caso por ter vindo da UDN, e o MDB. Foi isso daí que ocorreu. Agora, hoje em dia, felizmente eu tenho uma vida muito bem estruturada.  

 RE – Hoje em dia os jogadores de futebol têm uma visão muito diferente. Não estudam, mal terminam a oitava série e vão jogar futebol. Quando você jogava era diferente? 

L – Não. Inclusive, nem eu. Eu terminei o meu curso, que se chamava científico na época, em 1950. Eu tinha 17 anos. Depois eu parei de estudar. Eu voltei a estudar em 1958 para 59, porque eu comecei a perceber que o futebol na época proporcionava um rendimento muito baixo, apesar de ter sido um jogador, eu e minha mulher sempre fomos muito econômicos. Ganhava mil, guardava quinhentos, etc. Mas não era coisa assim para deixar um futuro. Mas muitos jogadores já estudavam. Eu acho que hoje é menos do que naquela época, no meu entendimento. Porque hoje a carga que eles têm de treinamento bloqueia muito eles de estudarem. Porque tem que fazer uma excursão para Europa, jogar pelo Campeonato Brasileiro, concentração, é muito complicado. Eu peguei um pouquinho dessa fase, em 60 e 61. Jogadores que jogavam comigo, que eram do Grêmio, inclusive era o Élton, etc. Só para tu ter uma idéia, Eu comecei a faculdade com o Élton. Eu terminei em 63, ele terminou em 68, 69. Por quê? O Grêmio em 61 fez uma excursão para a Europa de 50 e poucos dias, daí ele teve que perder aula e não deu para passar. Aí ele voltou para o primeiro ano. Aí o Grêmio voltou para a Europa e ele perdeu de novo o ano. Aí ele conseguiu fazer o primeiro ano, fez o segundo, quando ele ia fazer o terceiro, ele foi para o Rio de Janeiro vendido ao Botafogo. Aí ele ficou no Rio um ano ou dois e voltou para concluir o terceiro ano. Quer dizer, ele foi terminar lá por 1970. Futebol, nesse ponto, prejudica sim.

 RE – Uma coisa que mudou ao longo do tempo também, foi a torcida do Internacional. O senhor está achando melhor agora, essa história de barra-brava? 

L – Não. Na torcida do Grêmio, o que eles fizeram aquela vez de botar fogo nos banheiros. Isso aí não.  Nesse ponto o futebol involuiu, ou seja, perdeu muito. Na minha época, eu levava muitas vezes a minha mulher com a minha filha pequena. Cheguei a levar dois filhos meus. Eles iam ao campo de futebol. Hoje eu não sei se alguém pode levar uma criança no campo de futebol, porque de repente o sujeito acha que futebol é guerra. Futebol é cantar, é gritar pela torcida, não guerra. Isso aí eu não gosto. Nós estamos aí agora com o julgamento de um torcedor do Internacional que foi assassinado, aquele lá em Dom Pedrito a mesma coisa. Claro que isso daí é decorrente de algo que está acontecendo fora do futebol, mas não pode acontecer isso. Nós tivemos dois grenais, um que o campo do Internacional ficou com 15 mil lugares vagos, ai jogou um outro Gre-Nal com 15 a 20 mil lugares vagos, eu não gosto disso.

 RE – Qual o tratamento do Internacional em relação ao senhor? 

L – Eu acho que é o time que melhor trata os ex-atletas. O Internacional entrega uma carteirinha de ex-atleta. Normalmente chama os ex-jogadores para eventos, uma festinha. O Élton é o nosso presidente lá no Internacional, é quem conduz isso. O Internacional trata bem, também não dá para ficar paparicando, eu joguei há 40 anos atrás. Respeita e se lembra do que o jogador representou para o Internacional. Eu acho muito importante isso.

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Comentários»

1. 3ª Edição – Não pensamos em desistir « - 10 outubro, 2007

[…] vez, trazemos uma entrevista com um grande jogador do passado. Agora, voltando ao Internacional, o papo é com o grande Larry Pinto de Faria. A conversa foi realizada na casa do craque, uma semana após a morte de seu eterno companheiro, […]

2. Marcelo Xavier - 10 outubro, 2007

excelente entrevista ebelo resgate. Só corrigindo que o nome correto do idealizador do estádio é Pinheiro Borda, com ” d”.

3. Henrique Prieto - 10 outubro, 2007

Como é bom ver que o jogador continua apaixonado pelo Inter e falaram sobre o que ocorre hoje em dia, onde um ano está no Inter e no próximo ja está no gaymio, poucos jogadores tem amor verdadeiro pelos clubes onde atuam.

4. eduardo - 11 outubro, 2007

excelente entrevista, excelente pessoa esse Larry. eu nao tive o prazer de ver jogar mas até hj tiro os gremistas com essa estória dos 6×2.
obrigado Larry, ídolo eterno.

5. lucas alves - 20 novembro, 2008

eu quero que o meu avô jorginho que jogava em 1963 no grêmio apareça !!

6. Lino Tavares - 21 setembro, 2009

Excelente entrevista
Tendo sido polítco pela ARENA e, sendo o exemplo de cidadãol que é e de jogador que foi, Larry é uma prova de que o Governo Revolucionário e a Revolução Democrática de 1964 não eram nada dquilo que se diz hoje, só porque a esquerda corrupta está no poder. Se perguntasse a esse craque, tenho certeza de que diria que nunca sofreu restrições em sua liberdade durante o “Regime Militar”, que foi na verdade os melhores anos de um Brasil progressita e socialmente justo, proporcionado a artistas e desportistas a oportunidade de brilharem sem percalços, por que havia segurança para todos, sem o poder paraleo do crime organizado.
jornalista Lino Tavares
Comunicador há 45 anos sempre desfrutando de sua livre manifestação do pensamento.

7. Carlos A Ostermann - 5 janeiro, 2010

Já postei uma solicitação na entrevista do jogador Bráulio para voces escreverem sobre um jogador impar (na década de 60) que morreu no RS sem ter sido cogitado por clubes de Rio-São Paulo, muito menos do exterior, pura e simplesmente por não existir na época a tal de “globolização”. Poucos conheceram CHORINHO um dos jogadores mais geniais que vi e tive o prazer de jogar com êle. Por favor, pesquisem principalmente com repórteres e jornalistas da época e mesmo os que estão até hoje na ativa como o Kenny Braga, Lauro Quadros, Edgar Shimidt, Ruy Carlos Ostermann (meu primo), Paulo Santana e muitos outros que o viram jogar. Se fizerem esta reportagem, me comuniquem via e-mail que ficarei muito grato.

8. Osvaldo Alencar - 4 fevereiro, 2010

Vivi em Porto Alegre quase toda a década de 50. Vi o Larry chegar.
Tive o privilégio de assistir a inauguração do Olímpico. Como não tinha recursos, ou melhor, eles eram bem menores que minha paixão pelo Inter, vi o jogo de cima daquele morro que fica atrás da goleira à direita das cabines da imprensa. Naquela época o Olímpico ainda não tinha o anel superior nem o morro tinha casas. Já tenho mais de sessenta e jamais esqueci aquele dia. Tenho na memória um dos gols da dupla Larry x Bodinho como se fosse um vídeo tape, os dois entrando pela meia direita em tabela e fulminando o Sérgio.
Minha vida hoje é deliciar-me com essas lembranças da minha querida Porto Alegre,nas quais sempre estão o Inter e, claro, o Larry.

9. Júlia Marchioro da Rosa - 4 outubro, 2010

Eu gostaria de saber se vai sair algum DVD sobre as historias dos idolos Larry, Florindo, Juarez, Alcindo? e como poderiamos adquirir?

10. duval dornelles - 7 outubro, 2010

vi larry contra o santos de pelé fazer 3 goals….nos eucaliptos..nunca mais esqueçi…..duval dornelles

11. ayrton luiz balsemão - 30 maio, 2011

Vim de Lajeado em 1959 e vi muitas vezes o Larry deixar a torcida babando com suas jogadas geniais. Quando morava em Lajeado, o Inter foi lá jogar em 1958 – eu era menino de 12 anos – consegui um autógrafo do Larry e guardei-o durante muitos anos. Foi meu maior ídolo de todos os tempos. Foi minha figurinha mais valiosa do meu álbum. Depois vem o Bráulio. Hoje com 65 anos, morando em Santa Catarina, tenho saudade do meu tempo de Menino Deus, onde não perdia nem treino nos Eucaliptos. Foi uma época terrível para nós Colorados; sofremos muito na década de 60, mesmo assim a gente era feliz com o futebol jogado pelos nossos ídolos e adversários. Que tempo bom aquele! Tenho muito material guardado daquela época. Se alguém quiser trocar fotos comigo, é só entrar em contato pelo meu e-mail: ayrtongaucho@hotmail.com

12. Raymond Johnson - 30 julho, 2011

Olá,

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13. CLECI CAMPOS - 9 dezembro, 2011

MEU DEUS, LARRI E BODINHO JUNTOS FIZERAM MAIS DE 400 GOLS. LEMBRO-ME DO GRENAL DE 6X2 E DO PAN AMERICANO QUE EU ESCUTAVA DE MADRUGADA E DEPOIS LEVAVA O RESULTADO PARA MEUS COLEGA DE AULA QUE AINDA NÃO SABIAM PORQUE EM CAMAQUA OS JORNAIS (FOLHA ESPORTIVA DA EPOCA) SO CHEGAVAM APOS AS 8 DA MANHA.
EU DISCUTIA COM MEUS COLEGAS GREMISTAS E TOCAVA MUITA FLAUTA PORQUE A MAIORIA DO TIME, E DOS GOLS ERAM DE COLORADOS. CLECI CAMPOS

14. ayrton luiz balsemão - 5 janeiro, 2012

Quem, como nós, tem mais de 60 anos, tem uma lembrança muito intensa de nossos ídolos que jogaram nas décadas de 50 e 60. Vou resgatar aqui alguns nomes que nunca vou esquecer: Larry, Bráulio, Salvador, Chinesinho, Bodinho, Sapiranga, Sérgio Lopes, Sérgio Moacir, Ari Ercílio, Zangão, Kim, Ezequiel, Alfeu, Ivo Diogo, Cláudio Dani, Verardi, Gilberto Andrade (fantástico), Silveira, Marino, Airton Pavilhão, Juarez, Milton, Elton, Ortunho, Vieira, Sadi, Scala, Chorinho, Paulo Vecchio, Alcindo, Flávio Minuano, Luiz Carlos Lua, Dorinho, Gainete, Claudiomiro, Schneider, Bibiano Pontes, e muitos outros, que me fogem à memória. Quem precisar de material dessa época pode entrar em contato comigo: ayrtongaucho@hotmail.com.


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