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ênio andrade

O Cabeça, documentário radiofônico sobre o maior treinador gaúcho da história

Luis Eduardo Tebaldi Gomes

“O Ênio foi um gênio dentro do campo, e foi um mestre fora do campo”, assim Ruy Carlos Ostermann define aquele que em sua opinião é o maior treinador gaúcho de todos os tempos, Ênio Vargas de Andrade.

baixe o documentário aqui

Ênio nasceu em 31 de janeiro de 1928, em Porto Alegre. Sua carreira como jogador de futebol começou na zona norte da Capital, no Esporte Clube São José. Após dois anos no Zequinha, ele se transferiu para o Internacional, aonde ganhou os campeonatos gaúchos de 50 e 51, jogando ao lado de grandes jogadores Larry, Bodinho, Chinesinho. No entanto, os feitos mais relevantes da carreira de Ênio como jogador viriam após sua transferência para o Grêmio Esportivo Renner. Na nova casa, ele fez parte do time que ficou conhecido como o “Papão de 54”, campeão gaúcho de 1954. Após a conquista do Renner, levariam 44 anos para que outra equipe quebrasse a hegemonia da dupla Gre-Nal – até o Juventude vencer a final contra o Inter em 98. Dois anos mais tarde, em 1956, ele fez parte da seleção gaúcha que representou o Brasil no Pan-americano de 1956, no México. Os gaúchos sagraram-se campeões em cima da Argentina com um empate de dois a dois. Mais tarde, Ênio teria uma passagem importante no Palmeiras e jogaria por uma temporada no Náutico, antes de retornar ao São José para encerrar a sua carreira em 1962.

No entanto, quando se fala em Ênio Andrade, se fala na vitoriosa carreira de treinador. Seu primeiro trabalho de destaque foi no Esportivo de Bento Gonçalves no início dos anos 70. Treinando um time como jogadores como Neca, que mais tarde jogaria no Grêmio, e Cacau, ele não chegou a nenhum título, mas fez o suficiente para mostrar serviço a direção tricolor que o contratou em 1975, para a sua primeira passagem no clube. Infelizmente para ele, na época o Grêmio não tinha um elenco bom o suficiente para parar o esquadrão colorado que comandou o futebol gaúcho na década.

Somente ao trocar de lado, após uma passagem pelo Coritiba, é que Ênio conquistaria o primeiro título de sua carreira. E, talvez, o mais notório, aquele que jamais foi repetido por nenhuma outra equipe: o campeonato brasileiro invicto de 1979 vencido pelo Inter. Pode-se argumentar que com Falcão, Valdomiro, Mauro Galvão, Batista, Jair, Mario Sérgio e outros grandes jogadores fosse fácil ser campeão brasileiro. No entanto, praticamente os mesmos jogadores haviam alcançado apenas a terceira colocação no campeonato estadual do período. O ciclo de vitórias de Ênio no Inter, contudo, não duraria muito. Em 1980, Ênio levou o Internacional a final da Libertadores e a semi-final do campeonato brasileiro. Mas as duas derrotas nas fases decisivas fizeram com que o novo presidente do clube na época, José Asmuz, demitisse o campeão do ano anterior. Esta decisão, como se veria mais tarde, vai custar muito caro para a torcida colorada.

Em um lance de astúcia da direção gremista, Ênio não precisou andar mais de 3 km para arranjar um novo emprego. Imediatamente a sua saída do Inter, ele assume como novo treinador do Grêmio. Logo no primeiro semestre de 1981 ele leva uma equipe qualificada do Grêmio, mas inferior ao adversário, que era a base da seleção brasileira da época, ao título de campeão brasileiro. Na final, em Morumbi lotado, Baltazar fez o gol que começava a tirar o tricolor gaúcho das sombras do eterno rival. Dois anos mais tarde, o Grêmio se sagrava campeão do Mundo. Sim, é verdade que Ênio já havia deixado a equipe, mas não é falaciosa a afirmação de que a pedra fundamental para a conquista de 1983 foi colocada no Morumbi, naquele gol de Baltazar.

No entanto, o feito mais impressionante da carreira de Ênio Andrade como treinador foi o título de campeão brasileiro pelo Coritiba, em 1985. A equipe paranaense não era mais do que boa, mas foi deixando grandes rivais como Santos, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense pelo caminho. Baseada em uma forte marcação, a equipe formada por Rafael – André, Gomes, Heraldo, Dida – Almir (Vavá), Marildo (Marco Aurélio), Tobi – Lela, Índio e Édson, bateu o Bangu nos pênaltis na final, em um Maracanã lotado por torcedores dos grandes times cariocas.

Impressionante também teria sido se o Internacional, treinado por ele, tivesse batido o Flamengo na final de 1987. No entanto, a grande equipe carioca, com um gol de Bebeto, bateu o colorado de Taffarel por 1×0, no Maracanã. Ênio mais uma vez baseara o seu time na defesa. Vencendo os jogos por 1×0, empatando outros. O jovem goleiro colorado chegou a ficar oito jogos sem sofrer gols. Mas Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Andrade, Zico, Renato e Bebeto formavam um esquadrão muito difícil de ser batido pela guerreira equipe colorada. Ênio Andrade ainda deixou sua marca no Cruzeiro, vencendo a Supercopa dos Campeões da Libertadores, em 1991.

O Cabeça, como era conhecido, morreu no dia 22 de janeiro de 1997, vitimado por complicações pulmonares. Em janeiro de 2008, ele completaria 80 anos se estivesse vivo. Mas este não é o motivo desta lembrança. Pois, não é preciso de um motivo para se lembrar do grande treinador que foi. Acusado de retranqueiro. Vítima de preconceito, nunca chegou a treinar a seleção brasileira. Mas a verdade é, quem perdeu foi a seleção, que não tem em suas páginas gloriosas o nome do grande mestre do futebol gaúcho.

Comentários»

1. Marcelo Magalhães - 18 fevereiro, 2008

Meu nome é Marcelo Magalhães, moro em Recife, torço pelo Náutico e nunca esquecerei o time que o “Seu Ênio” montou em 1984, quebrando um jejum de títulos que vinha desde 1974. Houve um jogo memorável naquela ano: num domingo, Náutico e Sport decidiam o primeiro turno do Campeonato Pernambucano e o Sport saiu na frente. O resultado levou o jogo para a prorrogação, – o Náutico havia ganhado o primeiro jogo – e o arquirrival jogava pelo empate. Faltando dois minutos para o encerramento do jogo, a torcida rubro-negra já comemorando, eis que Baiano, jogador que marcou época no alvirrubro pernambucano faz o gol decisivo. Náutico campeão do primeiro turno e, posteriormente, campeão pernambucano, depois de dez anos na fila. Lembro que houve uma missa em um dos morros aqui do Recife e “Seu Ênio” esnobou o ato. Acho que ele era mais chegado a uma macumba… Enfim, preferências religiosas à parte, ele foi campeão pelos três times aqui do Recife. Além de ter sido três vezes campeão brasileiro e campeão da Supercopa. Um gênio!

marcio - 27 junho, 2009

nenhum tecnico no brasil chegou aos pés de enio andrade. times que o seu enio montava dava gosto de ver jogar, raça, determinação e vontade de vencer não faltava. hoje é triste ver um times de futebol com jogadores que deixam o campó sem suor na camisa. enio era um treinador que não revogava aquilo que estava dando certo e por isso foi um vencedor. os tecnicos atuais quando arrumam o time acabam dessarumando logo em seguida, e um exemplo ´pe o tite que esta treinando o internacional atualmente. o time embalou e ele revogou aquilo que estava dando certo.

marcio - 27 junho, 2009

ele era bom mesmo

jorges - 21 novembro, 2012

FALTOU O REDATOR DO TEXTO ACIMA CITAR QUE, EM 1987, ALÉM DO BADALADO ELENCO, O FLAMENGO ATUOU COM UM GRANDE REFORÇO: A ARBITRAGEM. COM DESTAQUE ESPECIAL PARA JOSÉ ASSIS DE ARA(men)GÃO. E O AUXÍLIO LUXUOSO DE UM ATUANTE FLAMENGUISTA, ROBERTO MARINHO E SUA REDE GLOBO

2. Jéssica - 14 março, 2008

Olá.. Sou parente do Ênio.. obrigada por lembrarem dele, nesses tempos em que muitos têm memória curta..
Respondendo ao Sr.Marcelo Magalhães.. ele nunca se manifestou tanto referente a sua religião e nem ao seu time.. justamente por existir pessoas como você que não respeitam as opiniões de cada um.. e como futebol, religião e política não se descutem..Te garanto que ele era católico.. espirita.. enfim.. mas nunca “chegado a uma macumba”..
Mas mesmo assim obrigada pela lembrança..

3. Claiton Pazzini Goulart - 14 junho, 2008

Sou colorado e acompanhei o genial seu Ênio como treinador do meu Inter. A campanha do colorado em 1979 foi fantástica. Deixou saudades pela sua competência e pela sua seriedade.
Obrigado seu Ênio!!!

4. Paulo - 17 janeiro, 2009

ÊNIO: UM GÊNIO COMO TREINADOR: CAMPEÃO PELO NÁUTICO EM 1984, APÓS 10 ANOS QUE ESSE GRANDE TIME NORDESTINO NÃO OBTINHA UM TÍTULO PERNAMBUCANO. RECONHECIMENTO DE UM PERNAMBUCANO A ESSE COMPETENTE TÉCNICO GAÚCHO.

marcelo Flach de Andrade - 11 julho, 2009

Agradeço!
Pela lembrança deste treinador que alem de tudo foi um grande tio, que mesmo estando distante sempre era querido!

wellington luiz silva - 23 julho, 2012

Gostaria de saber se possível o paradeiro da Dª IRENE, para eu entrar em cotato a mesma , pois trabalhei com Sr. ENIO no CORITIBA – 85

renato pinto correa - 29 setembro, 2012

ola ,vc saberia me dizer exatamente o mes e ano em que onosso saudoso enio deixou o gremio?

5. WILLIAM - 21 outubro, 2009

Salve Ênio Andrade; CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1985:CORITIBA

6. Diego - 25 maio, 2010

Excelente treinador, Sr. Ênio, um dos melhores do futebol brasileiro


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