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Entrevista com o Pavilhão

Por Luís Eduardo Gomes – luisgomes_86@yahoo.com.br

 

Sábado, 8 de setembro, Airton Ferreira da Silva, o popular Airton Pavilhão, recebe a Repórter Esportivo para um papo sobre a sua carreira. Conhecido como o melhor zagueiro da história do Grêmio e escolhido o atleta do século na posição pela RBS, Airton mora em uma casa, ganha em uma das tantas renovações de contrato que teve com o Grêmio, na Av. José de Alencar, em frente ao Estádio Olímpico. Sujeito simples, Airton falou sobre o início de sua carreira, sobre sua gloriosa passagem de 13 anos e mais de 700 jogos pelo Grêmio, sobre seu envolvimento com a política e diversos outros momentos de sua carreira. O Pavilhão também expressou sua vontade de passar a experiência conquistada nos gramados em um livro para os atuais e futuros zagueiros.

RE – Aírton, partindo do início de sua carreira, como é que foi o seu início no Força e Luz?

Aírton – Bom, primeiramente eu comecei no Inter com dez anos, na escolinha. Depois, já com 13 anos, eu passei para o Força e Luz. E com 15 anos eu já era profissional. Jogava contra Grêmio e Inter porque eu era alto. Então, ali eu fiquei até 20 anos, e aí passei para o Grêmio. Eu posso dizer mesmo que eu comecei minha carreira mesmo no Força e Luz. Dificilmente um jogador com 15 anos já é profissional.

RE – E por que você saiu do Inter e foi para o Força e Luz que, mesmo na época, era um clube bem menor?

AP – Mas é sempre assim, a gente quando começa tem um poder aquisitivo bem baixo. O Inter era meio longe da minha casa, e o Força e Luz era só atravessar o Riacho Ipiranga e já tava no F&L, e aí comecei a ir ali. Com 14 anos eu novamente fui para o Inter, eu já tinha assinado com o F&L, mas quase acertei como juvenil do Inter. Aí eu falei para o diretor do F&L, e ele me disse que se quisesse poderia ir, mas que naquele ano eu iria para o profissional. Aí eu achei melhor ficar no profissional, porque aparecia mais, tava mais na vitrine. E foi o que aconteceu, com vinte anos eu já tinha sido convidado pelo Grêmio.

RE – E como que aconteceu aquela sua negociação. Tem toda aquela história do pavilhão, mas também havia interesse de vários outros clubes, como Inter, times do eixo Rio-SP…

AP – Isso, tinha o Vasco, Botafogo. Só que eu não queria sair de POA. Com 20 anos já consegui ser convidado para vir para o Grêmio, e ali fiz a minha carreira de 13 anos. Naquele tempo o jogador de futebol, assim como eu e o Pelé, ficava 13 anos no clube. Pelé 13 no Santos e eu 13 anos no Grêmio. Mas eu tive várias propostas, para ir para a Argentina, naquele tempo não tinhas essas transferências para a Europa. Mas eu sempre quis ficar aqui (na época). E eu fiquei conhecido jogando aqui. Mas eu queria ter sido conhecido no mundo, ter jogado na Europa – apesar de eu ter ido para lá em dois anos com o Grêmio, em excursões. Mas a gente tem que jogar lá para ser conhecido.

RE – E como é que foi o seu início no Grêmio? Primeiro você foi testado no meio-campo?

AP – Quando o Grêmio me viu, eu tava jogando de centro-médio. Um treinador húngaro, que era do Grêmio, queria aquele zagueiro (volante) porque o centro-médio deles tinha se machucado num Gre-Nal. Tinha quebrado a perna no domingo e faltava um jogador para esse lugar. Aí esse húngaro disse: “vamos contratar o Aírton”. Eu vim para o Grêmio como centro-médio. Só que o Grêmio estava em baixa naquela época e o Inter em alta. Aí chamaram o seu Osvaldo Rolla, que fez uma equipe que ganhou de todo mundo. O Osvaldo me colocou de zagueiro central. E aí o Grêmio começou a ganhar tudo que é campeonato. Realmente tinha uma equipe muito boa.

RE – Em que ano você se firmou como zagueiro central e quando o senhor chegou ao posto de melhor zagueiro do RS?

AP – Eu joguei de lateral, de meio-de-campo. No meio do ano (1955) já contrataram o seu Osvaldo Rolla e ele me colocou de zagueiro. E ali já começou. A prova é que nós fomos vice-campeões em 1955. Daí eu fui para o México (onde disputou o pan-americano de 1956 pela seleção brasileira, representada por jogadores gaúchos), convocado para representar o Brasil. Foi uma honra para mim, porque eu era um guri que não era conhecido. E aí a partir de 56, a gente já foi campeão. No primeiro ano eu fui vice-campeão um ponto atrás do Inter. No segundo ano já ganhamos diversos campeonatos. Eu em 13 ganhei 12 campeonatos. Então, me firmei. Apesar de que um zagueiro como eu era difícil se firmar. Eu tive que provar, porque meu futebol era diferente de todos. Naquele tempo o zagueiro central tinha que dar pontapé, não podia passar do meio campo, fazer gol. E eu fiz tudo diferente e me dei bem. Por isso que eu sou lembrado até hoje. Três meses atrás eu fui novamente escolhido novamente o zagueiro do século (entre jogadores gaúchos). O prêmio da RBS como jogador mais representativo do Grêmio em todos os tempos eu perdi para o Renato Portaluppi, que foi campeão do mundo. Fiquei muito honrado de ser o segundo. A minha carreira eu acho que foi só alegria, porque uma pessoa que chega num time como o Grêmio, ganhar do Inter e ser 12 anos campeão, eu acho que foi tudo que a gente podia desejar naquela época.

RE – E como é que o senhor desenvolveu esse estilo mais técnico? Era assim desde pequeno ou foi amadurecendo? Como o senhor desenvolveu o seu posicionamento diferente em relação aos outros zagueiros da época?

AP – Eu até quero fazer um livro agora explicando isso. Eu era muito fã do Tesourinha. E quando que eu era guri jogava na ponta-direita e aprendi a driblar, coisa que zagueiro não pode fazer. Nem recomendo zagueiro fazer isso. Mas eu acredito que seja o único zagueiro até hoje que driblava, ia lá, fazia gol. Fiz 120 gols na minha carreira. Que eu vi, o zagueiro que chegou mais perto fez 20 gols num campeonato, não é? Aprendi a fazer jogadas que a torcida gostava, jogada de letra – como apareceu no meu livro (ver seção replay) -, e aí fiquei conhecido até hoje. Quando eu saio na rua o pessoal me reconhece, o que é bom para a auto-estima da gente. Eu fui um zagueiro diferente realmente. E tão cedo não vai aparecer alguém igual, porque os treinadores, hoje em dia, não querem. Praticamente eu brincava. E sempre me dei bem. Provei nos trezes anos que fui o melhor zagueiro do RS.

RE – E como é que foi a relação do senhor com a fama naquela época? O senhor era uma celebridade?

AP – Com certeza. O bom é que naquela época Porto Alegre tinha cinco jornais. E todo o dia saía uma foto minha. Quase todas as rodadas eu era escolhido o melhor em campo. Para mim, aquilo ali foi muito legal, porque eu era um garoto humilde e consegui vir para um time grande. Quando eu era pequeninho era colorado, depois eu vim para o meu adversário. E consegui jogar junto com o Tesourinha que era o meu ídolo. Então, era muito bom. Eu me sentia o rei do RS. Na época era o Garrincha no RJ, Pelé em SP e eu aqui no RS. E eram as três forças maiores do Brasil. Naquele tempo nós ganhávamos de Minas, do Paraná. Então nós éramos a terceira força. A gente disputava muito com SP e RJ ainda. Eles ganhavam às vezes, a gente ganhava outras. Mas a gente plantou uma semente de respeito lá no centro do País.

RE – E como eram as excursões? As passagens pela Europa, a vitória sobre o Boca na Bombonera, os jogos amistosos contra times do RJ-SP, porque naquela época só se jogava campeonato gaúcho…

AP – Só que o campeonato gaúcho não era como agora. Em Pelotas, por exemplo, tinha três times. E não tinha vendas de jogadores. Quando aparece agora um jogador lá não sei aonde já levam para Europa, a gente está ficando com o jogador que não é pretendido pela Europa. Então era um campeonato muito forte. Ganhar em Novo Hamburgo, em São Leopoldo, era muito difícil – em Bagé. Era um campeonato muito bonito de ver, que infelizmente tá mais fácil. E eu fiquei tempos aqui, não aceitei muitas propostas, agora me arrependo de não ter ido jogar em outros centros… Argentina.

RE – Antes de voltar na questão das excursões, fale um pouco sobre esses períodos de renovação de contrato que o senhor teve com o Grêmio, que foram várias vezes e muito polêmicas. Como foram essas negociações e por que não deu certo a com o Hurácan da Argentina?

AP – É, isso é coisa de guri. Quando a gente é jovem acha que nunca ia terminar aquilo. Então eu achava que era o rei aqui, que era melhor ficar aqui do que ir para outro país. Porque naquele tempo muito pouca gente saía do RS. Eu fui ficando, ficando. O pior é que eu perdi grandes propostas, do Inter mesmo, do Huracán, como tu falou agora. Se eu não me engano, na época o peso era cinco vezes o valor no nosso cruzeiro. Era um contrato multimilionário. E, realmente, se é agora eu tinha ido. Mas qual é o jovem que não faz bobagens no início? Mas eu estou arrependido de não ter jogado uns dois anos no Inter e ter ido embora para São Paulo, Rio. Infelizmente, a gente não pensa na hora.

RE – Voltando às excursões. Como era jogar na Europa, na Argentina, o que isso acrescentou a sua vida?

AP – Foi muito importante, chegamos a ganhar na Grécia, por exemplo, de todo mundo. Jogamos com seleções, com a Rússia. Jogamos com o Real Madrid, na Alemanha (vitória dos espanhóis por 4×1). O Real Madrid estava fazendo uma excursão na Alemanha e a gente também tava lá, e aí jogamos com eles. Eu marquei Puskas. E para mim foi importante porque ali a gente pega grandes experiências. Eu fui para o México como te falei (em 1956), fui para a Europa em 61 e 62. E ali tu vai aprendendo. Marquei vários centroavantes famosos na época, o que ajudou muito na minha carreira. Porque não adianta tu jogar com jogador fraco. Se tu marcar um Pelé, vai aprendendo cada vez mais. E naquela época o zagueiro tinha uma coisa ruim, que não tinha líbero. Eu nunca tive líbero, sempre marquei mano-a-mano. E por isso que eu aprendi mais. Eu não vou a jogo hoje porque eu vejo sempre dois zagueiros marcando o atacante, e eu acho uma covardia isso. Eu sempre mandava meu centromédio ir para frente, porque eu não queria isso. Mas, infelizmente parece que hoje em dia tem que ter dois para marcar um.

RE – E como era isso de marcar Pelé, Puskas, Garrincha, os maiores jogadores de sua época? Como eram esses embates?

AP – O bom é isso, né! Por isso que todas as festividades que têm aí eles me convidam. Botar o pé na calçada da fama. Porque é uma honra a gente jogar com os melhores. Não adianta jogar contra time pequeno. Eu sempre gostei de jogar Gre-Nal. E acho que jogar com o Pelé…Consegui marcar ele sem dar pontapé. E a prova é que o Pelé fez a contra-capa do meu livro, é um sinal de que ele me queria muito bem. Porque eu acho que o único jogador que não chegava junto com ele, que não dava pontapé, era eu. Até hoje é assim, e eu discordo disso, mas tudo bem. Então, eu acho que marcar Puskas e Pelé é a consagração. Mas graças aos outros que eu marquei antes, Alcindo, Flávio – que era do Inter -, sem eles saberem estavam me ajudando. A gente vai aprendendo com os jogadores que são difíceis de marcar. Nos treinos também, tinham grandes jogadores no Grêmio. Por isso que eu queria fazer esse livro para dar uma contribuição para os zagueiros, que tá tão difícil de achar no Brasil. E eu quero ver se lanço ainda esse ano.

RE – Que tipo de dicas para os zagueiros você pretende dar?

AP – É, dicas para os zagueiros, como um centroavante deve fazer com o zagueiro. Eu tive experiência porque cheguei no Grêmio com 20 anos. São dicas boas para o atacante e também para a defesa. São coisas que poucas vezes tu ouve na televisão, e eu queria passar um pouco disso aí. Se é que as pessoas vão entender. Muitos vão discordar, porque não é todo zagueiro que pode fazer o que eu fazia.

RE – Senhor Airton, seleção brasileira. Quais os motivos que você acha que o levaram a não ter muitas oportunidades?

AP – É o que eu disse para ti, naquela época zagueiro não podia fazer aquilo que eu fazia. Então eu tive dois treinos. E lá eu fazia tudo, dava de letra. Eu já imaginava que eles iam fazer isso, porque eu não cheguei a jogar no Rio e em São Paulo. Todo treinador tem medo de zagueiro assim como eu. Eu ia ter que provar, assim como provei no Grêmio, que eu sabia fazer aquilo. Era muito perigoso? Era perigoso. Mas eu sempre gostei de fazer, gostava do perigo, eu estudei aquilo, achava que sabia fazer. Por isso que na seleção em cinco dias me mandaram embora. Só que aqui no Grêmio eu fiz e deu certo 13 anos.

RE – E como foi o final de sua carreira? O senhor teve uma lesão, foi emprestado para o Cruzeiro-POA. Como foram os últimos anos, quando continuou ganhando, mas já não tinha o mesmo vigor de antes?

AP – Eu tive uma lesão idêntica à do Pelé. Tive uma distensão na virilha, que eu acho que é a pior coisa no mundo. E tu, com uma lesão na virilha, com 35 anos, já não é mais aquele, é muito difícil curar. Aí eu comecei a querer um líbero. No Cruzeiro, onde eu tive a oportunidade de jogar, consegui ganhar um jogo do Inter e dar o campeonato para o Grêmio, mesmo machucado. E joguei mais uns dois anos, até os 37 anos, por aí. Então, para não ficar desmoralizado ou esquecido, é melhor saber parar. E como a lesão era muito difícil de curar, parei. Meu último time foi em Cruz Alta. Me convidaram para treinador. Fui treinador e jogador, e ali foi o meu último ano.

RE – E como é que foram os seus primeiros anos após a aposentadoria?

AP – Eu não queria muito ser treinador, porque todos eles são vaiados e eu nunca fui vaiado. Mas eu fui para Cruz Alta, fiquei quatro meses. E depois não quis mais saber de futebol. Até que o nosso ex-prefeito Alceu Collares teve a idéia de usar os ex-jogadores pra dar aulas de futebol nas vilas, escolhinha de graça. Agora tá difícil, porque os guris têm que pagar, então o município dava de graça. Fiquei trabalhando ali, ensinando os garotos e me aposentei por ali. Eu acho que dos jogadores da minha época, quem se deu bem fui eu. Graças a Deus eu tenho algumas coisas do que eu consegui com o futebol. Infelizmente, acho que 99% dos meus colegas não estão bem, porque naquele tempo não se ganhava tanto quanto agora.

RE – O senhor tentou ser vereador recentemente, como se envolveu com a política?

AP – Duas vezes eles me convidaram. A primeira vez eu até que tava querendo. Em 82 eu fiz uma boa votação. Mas é que, infelizmente, a política se tu não pôr dinheiro, não se elege. Então essa última vez eu não fiz tantos votos porque eu não tava dando gosto de ir, só quis dar meu nome para cooperar com o partido. Acho que nunca mais me meto com política, porque não é meu forte. E as duas vezes que eu fui me serviram de lição.

RE – O senhor jogou a carreira inteira no Grêmio. Depois que parou, qual a relação afetiva que você tem com o clube?

AP – Eu sou um jogador laureado, né! Toda segunda-feira eu sou convidado para um jantar no Grêmio. Me convidaram agora para ser conselheiro do Grêmio nas eleições. As quatro chapas me convidaram para apoiar eles. E eu to querendo, to pensando nisso aí. Já que todos que vão se candidatar são meus amigos. E tudo o que eu quero, que eu quiser no Grêmio, eles me tratam muito bem – assim como a outros jogadores. Eu to aqui defronte para o Grêmio (Aírton mora na Avenida José de Alencar em frente ao portão de entrada do Estádio Olímpico). Pelo menos plantei alguma coisa, e agora eles estão reconhecendo.

RE – Você acompanha o Grêmio, vai no estádio, vê pela TV, como é que é?

AP – Na maior parte das vezes, principalmente no inverno por causa do frio (vê pela TV). Quando tem um jogo bom, como esse contra o Boca, eu vou. Mas não é sempre que eu vou, porque eu to achando que o futebol tá meio parado. Infelizmente nossos bons jogadores tão indo embora para a Europa. Mas mesmo assim, às vezes eu vou, e quero até dar os parabéns para essa torcida que levantou o Grêmio. O Grêmio passou da segunda divisão para a primeira novamente graças à torcida. Eles tão acompanhado, morando aqui eu vejo, o que passa de gente é brincadeira. Sempre que posso eu vou.

RE – E essa relação com o Grêmio em jogos históricos para o clube. Por exemplo, qual foi o sentimento que o senhor teve nas campanhas do campeonato mundial em 83, nas duas Libertadores, e até nesse que não é o título mais importante, mas talvez seja o mais emocionante, que é a Segundona. Qual é a sua relação com essas conquistas do Grêmio, o senhor chega a se emocionar?

AP – Quando o Grêmio foi campeão do mundo deu para a gente a vibrar. Agora, aquela conquista lá nos Aflitos, passando da segunda divisão para a primeira. Aquela ali, eu não tenho vergonha de dizer que cheguei a chorar. Assim como eu fiquei feliz quando o Inter foi campeão do mundo, que eu vi aquele desespero do Abel. Porque ele merecia, todo mundo dizendo que ele era vice, vice, vice, sempre vice. Eu vibrei e torci para o Inter, para mostrar que aqui no RS a gente tem campeão do mundo, temos dois. Agora a do Grêmio passar para a primeira novamente, toda a vez que passa o vídeo eu me emociono. A gente vai a jantares com o consulado, quando eles passam na tela não tem como não se emocionar.

RE – O senhor tem algum projeto futuro no futebol, fora esse livro?

AP – O que eu tenho feito agora é peneirão…

RE – Em nome do Grêmio?

AP – Não, faço para mim mesmo. O Grêmio queria que eu me apresentasse para representar o clube, procurar jogador. Mas não vale a pena, a gente se desgasta muito e tem pouca ajuda. Mas sempre que eu posso auxiliar uma família que vem aí com um filho, eu levo para o Grêmio, também levo para o Inter. E to sempre metido com esse negócio de futebol, porque as pessoas têm dificuldade de chegar no Grêmio. Mas eu não quero um tostão. Faço isso gratuitamente, porque eu sei que é difícil.

RE – Duas últimas perguntas. Primeira, o que você traz do futebol, amizades, aprendizados?

AP – Eu vou dizer uma coisa que só um jogador eu vi falar. Todo jogador sabe que é verdade, mas só o Zico eu vi falar. A coisa boa que acontece na vida da gente é que todo mundo tem sua auto-estima, e toda a vez que eu saio – fazem 38 anos ou mais que parei de jogar – eu sou reconhecido. Por garotos que nunca me viram jogar, pela imprensa. Toda a vez que eu vou num restaurante, ou num bar qualquer, as pessoas me conhecem. Isso é muito bom para gente, na idade que eu to, ser lembrado. Eu fico triste que meus colegas da época não são nem lembrados mais. Então eu to sempre nas rádios dizendo que eu quero ver mais ídolos. Aqui no RS se esquece muito dos ídolos, apesar de eu não poder me queixar. Mas tinham que ser mais reconhecidos. Por exemplo, um pessoal do Inter, o Florindo (contemporâneo de Aírton), que foi um zagueiro bom. Então eu me sinto bem porque sou um dos poucos a ser lembrado. Eu acho que só nos Eua que eles gostam muito dos ídolos que passaram. Aqui no Brasil eles não lembram muito não.

RE – E arrependimentos, você teve algum na carreira?

AP – O único arrependimento que eu tive é o que eu disse, eu tinha que ter jogado no Inter também. Já que eu gosto tanto do Inter, o meu primeiro clube. Devo tudo ao Grêmio, mas devia ter jogado uns dois anos no Inter e ter ido para São Paulo e Rio. Não é porque eu não me dei bem, mas eu precisava ser reconhecido no mundo inteiro. Mas eu não queria, porque que eu tinha pavor de andar de avião. Essa é uma das coisas porque eu não queria sair do RS.

 

Comentários»

1. Francisco Ganzer Neto - 8 dezembro, 2007

Goiânia, 8/12/2007
Airton.
Muito tempo tentei localizar voçê. Sou do RS/Flores da Cunha e caxias do Sul.estou fora do Rio Grandejá fazem 34 anos. Sou Grêmista de paixão. Vi voçê jogar. Voçê é meu idolo. Considero o maior zagueiro que o mundo teve e tem. Zagueiro arte, técnico e capaz. Vi muitas vezes jogar em Caxias contra o Juventude e o antigo flamengo de Caxias. Lembro das jogadas e tiradas de letra. Lembro de um chute a queima roupa do jogador do juventude que chutou contra voçê,a bola bateu em tua coxa e a bola caiu macia em sua frente e voçê tirou de letra. o Jogador não soube o que aconteu.Lembro dos demais jogadores como Germinaro,Enio Rodrigues,Aiton, Luiz figueró e Ortunho, Elton e Milton,________(Baba) ,Gessi, Juarez e Vieira. Quando irei ao Rio Grande farei uma visita ao Grêmio e a Voçê, quero conheçê-lo.

Francisco Ganzer Neto
fganzer@terra.com.br
fones: (062) 39452842 e ou (062) 8179 0325

Obrigado por tudo o que fizestes pelo Grêmio.

2. Iuri - 11 dezembro, 2007

Sensacional a entrevista, merece ser mais divulgada.

Aírton Eterno.

Abraço,
Iuri.

3. desireê mayara da silva rios - 9 fevereiro, 2008

quero muito trabalhar pois quero ter meu proprio dinhero e da mais valor
e tenho 13 anos quero começar de cedo será que você não poderia me ajudar aqui em poá mesmo?
me ajude meu salario no minimo R$200,50 reais tá beijossssssssss thau

4. LUCIANO - 13 maio, 2008

ESTE CIDADÃO AIRTON FOI O MAIOR ZAGUEIRO DE TODOS OS TEMPOS , EM TÉCNICA , FORÇA E PRINCIPALMENTE EM LEALDADE. ARIRTON TU ÉS O MAIOR. TENHO ORGULHO DE SER GAÚCHO E SER FÃ DELE.

É FACIL DE CAMISA DEZ, DIFÍCIL É SER GOLEIRO OU ZAGUEIRO E TER DESTAQUE.

ABRAÇO. LUCIANO MACHADO LIMA

5. AIRTON LUIZ DA SILVA - 17 novembro, 2008

Gostaria de me comunicar com AIRTON FERREIRA DA SILVA , sou gaúcho de írai, moro no RIO DE JANEIRO. Me chamo AIRTON LUIZ DA SILVA, e meu nome foi colocado. em homenagem a este grande atleta. só que descobri isto a pouco tempo e resolvi procurar ele na internet gostaria de ter fotos da época em que ele jogava, para emoldurar em minha sala, seria hoje pra mim um sonho realizado meu tel. 021-31032798. Um abraço e um beijo em seu coração.

6. AIRTON LUIZ DA SILVA - 17 novembro, 2008

SE O SENHOR LER ESTA MENSAGEM E QUIZER ME MANDAR FOTOS DA ÉPOCA MEU ENDEREÇO É: RUA.BENEDITA RIBEIRO DA FONSECA Nº44 CEP 26276-350 BAIRRO; JARDIM BELO HORIZONTE, CIDADE: NOVA IGUAÇU RIO DE JANEIRO. AIRTON LUIZ DA SILVA

7. 2ª Edição – É hora de continuar « - 20 junho, 2009

[…] passado. No entanto, diferentemente da primeira edição, o sabatinado foi um ex-jogador gremista: Airton Ferreira da Silva. O lendário zagueiro conhecido como Airton “Pavilhão” que jogou pelo tricolor nas décadas de […]

8. LUIS - 6 abril, 2010

TIVE O PRAZER DE VER AIRTON JOGAR SIMPLESMENTE FANTASTICO….ATE HOJE NAO VI ZAGUEIRO IGUAL…..

9. ayrton luiz balsemão - 8 janeiro, 2012

Sou Colorado, 65 anos, e vi esse MONSTRO jogar. Jogava muito e com uma técnica inigualável. Só um zagueiro que eu acho que se assemelhava ao Airton era o Luis Carlos Lua, quarto-zagueiro muito elegante ao jogar na década de 60. O Airton teve duelos inesquecíveis com o Larry, com o Alfeu, com o Bráulio depois. Foi realmente uma pena não ter vestido a camiseta Colorada. Teria sido uma felicidade para nós. Imagina só: o homem nasceu com a alma vermelha e o Internacional o deixou escapar para o Grêmio. Se o tivessem contratado a história dos dois clubes teria sido outra, sem sombra de dúvidas.

10. Max Silva - 3 abril, 2012

a ti velho amigo…gremista..brasileiro…pai e acima de tudo um grande homem!!!!va com DEUS…

11. Paulo Mattos - 4 abril, 2012

Grande Airton: te vi jogar pelo Grêmio uma única vez. Foi seu último jogo no Olímpico, em 1967, contra o Guarani de Bagé.

Meu pai sempre te teve como ídolo.

Descansa em paz. Um dia irei te visitar.

12. Aírton Pavilhão, um homem de classe | impedimento.org - 4 abril, 2012

[…] originalmente aqui, em 2008) Publicado em Contribuições. ligação permanente. ← Pavilhão, uma lenda do […]

13. Grêmio LibertadorA história se repete - Grêmio Libertador - 24 novembro, 2016

[…] o Cruzeiro. Foi responsável, entre outras coisas, por lançar um zagueiro de 20 anos, um tal de Aírton, que estava jogando de volante, como zagueiro, bem como ter montado o time com Gessy e Milton que […]


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