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Papão de 54

 

“O Papão de 54”: belo resgate de um futebol, de um clube e de uma cidade que não voltam mais.

Felipe Prestes

Cinqüenta anos depois da conquista do campeonato gaúcho pelo Grêmio Esportivo Renner – em 1954 – produziu-se um belo documentário que narra a trajetória do clube desde a fundação, em 1931 – por funcionários da malharia Renner – até sua repentina extinção, em 1959, e cumpre com louvor a missão de resguardar a memória do esporte gaúcho, e em especial da Zona Norte de Porto Alegre.

Em tal conquista, o time dos industriários quebrou a hegemonia de 25 anos da dupla Gre-Nal em campeonatos gaúchos, feito repetido apenas duas vezes em mais de meio século (pelo Juventude em 1998, e Caxias em 2000). Com craques como Valdir de Morais, Ênio Andrade e Breno Mello – que depois atuou no Fluminense e protagonizou o filme “Orfeu do Carnaval” – o “Papão” fez campanha irretocável, sagrando-se campeão invicto.

Depoimentos de jogadores, funcionários e familiares demonstram a união daquele grupo. Não faltam boas histórias de um futebol praticado em tempos mais amenos. Recortes de jornais e fotografias, e a participação de jornalistas e pesquisadores mostram uma Zona Norte de Porto Alegre – mais precisamente bairro Navegantes e arredores – que apesar de já industrializada, ainda se distanciava do caos e da pobreza atual.

Tempos em que os orgulhosos moradores da então charmosa região lotavam o Estádio Tiradentes, conhecido como Waterloo, onde o Renner era imbatível, garantem os poucos – e orgulhosos – torcedores rennistas que participam do documentário. Já foram muitos, tomaram as ruas pra comemorar o título gaúcho. Hoje se emocionam ao falar da extinção do clube, quando a fábrica decidiu “investir em publicidade”, ao invés de bancar a equipe.

Eram outros tempos, não se percebia a publicidade em ter uma equipe de futebol. Tempos românticos – ou romantizados por nós? Tempos muito bem registrados na emoção de antigos atletas, de um velho chefe de torcida, de um velho médico do clube, com sua velha maleta, contemplando o Estádio Eucaliptos – palco de vitórias rennistas – completamente vazio.

Papão de 54 (2005)

Documentário

65 minutos

Diretor: Alexandre Derlam

Comentários»

1. Alexandre Derlam dos Santos - 12 Abril, 2008

Felipe Prestes
Descobri seu comentário sobre o filme. Agradeço pela lembrança. Fiquei mesmo contente. O filme foi trabalhoso e muito, mas muito difícil de realizar. Sem investidores, nem patrocíninadores tivemos que bancar tudo. No final fomos recompensados por inúmeros agradecimentos.
O que você escreveu está muito bom. Você está de parabéns.
Obrigado pelo reconhecimento.
Um abraço.
Alexandre Derlam

2. Alexandre Derlam dos Santos - 12 Abril, 2008

Felipe Prestes
Descobri seu comentário sobre o filme. Agradeço pela lembrança. Fiquei mesmo contente. O filme foi trabalhoso e muito, mas muito difícil de realizar. Sem investidores, nem patrocíninadores tivemos que bancar tudo. No final fomos recompensados por inúmeros agradecimentos.
O que você escreveu está muito bom. Você está de parabéns.
Obrigado pelo reconhecimento.
Um abraço.
Alexandre Derlam

3. josé adão jr - 15 Abril, 2008

Lembro-me bem do campo do Renner, (na av. Sertório, entre Presidente Roosevelt e Farrapos), confesso que era muito jovem, criança mesmo. Recordo o aspecto em que se encontrava, em decadência, o gramado mal cuidado, o descaso(fim dos anos 60). O amadorismo empurrava os atletas á jogarem por amor imagino eu, pois só assim se explica o feito inédito. Quando ouvi no rádio sobre o filme, lembrei-me de tudo com detalhes, o estádio tinha uma parte em madeira, voltei a infância. Vou assistir este registro da história, em que homens, antes de pensar em quanto ganhariam, preocupavam-se em vencer, sem mídia, sem salto alto e sem o brilho dos holofotes.
Deve ser imperdível com certeza.

4. reporteresportivo - 15 Abril, 2008

Alexandre,

Fico lisongeado com seu comentário. Mas quem merece agradecimento é você. O futebol gaúcho agradece o seu trabalho.

Abraço,

Felipe Prestes

5. reporteresportivo - 15 Abril, 2008

José Adão,

Com certeza o filme é imperdível! Recomendo.

Abraço,

Felipe Prestes

6. beto silva - 23 Abril, 2008

Sou gaúcho e moro no Recife desde 2001. Não conhecia este documentário, que acabo de ver no Canal Brasil. Confesso que fiquei muito contente em assistir um trabalho tão dedicado, com depoimentos preciosos e uma bela reconstituição da importância que teve e ainda tem o Renner, seja na sua grande conquista e seja no coração de muitos torcedores e ex-atletas, todos muito apaixonados.

7. valdir machado - 5 Novembro, 2008

Eu vi o filme. Sou professor de história e gosto muito de ler e pesquisar sobre futebol.Nasci em 1966, portanto não vi nehuma façanha do alvi-rubro(assim como o “meu Inter”). Lembo do Larry falando: “Bah, lá(no “Waterloo”) era complicado.”. Futebol e fábrica.Futebol e operariado.A cultura operária formando-se a partir do núcleo capitalista:a fábrica dos anos 30. Urbanização, industrialização e migração.O espetáculo para as massas no contexto do fascismo e nazismo do entre guerras.O Autoritarismo varguista(1930-450 e o autoritarismo civil-militar pós-64, tiveram laços “afetivos” com o futebol.O”herói”, que pode ser o cívico(Estadio Tiradentes) ou os” heróis”, os “guerreiros” do campo. Competir e ganhar. Enfim, a cultura do capitalismo.Mas foi também emoção e identidade tecida no cotidiano da vida na fábrica.Valores de disciplina,organização. A difusão da economia-mundo iniciada no século XIX e do futebol. Do elitismo ao esporte das massas,globalizado.Ofutebol é polissêmico.Nos últimos vinte anos vem tomando a universidade em estudos que refletem esta abordagem polissêmica.Certamente o filme é mais uma destas contribuições.
Belo filme.Fiquei emocionado.Parabéns.
Nota.Assiti ao filme nO cANAL 66(NET)

8. marcelo Metzler - 28 Dezembro, 2008

POr favor como eu faço para comprar este dvd

9. Juarez Guilhon Lucas - 14 Março, 2009

Lembro-me bem ainda, embora criança na época. Eu tinha 12 anos em 1954, quando meu pai (já falecido) levou-me ao Estádio do Renner, no 4º Distrito, para assistir a Renner x Grêmio, cujo resultado foi 3 a 1 para o “Papão de 54″. Até hoje mantenho viva na memória a escalação do Renner daquela gloriosa época que não volta mais, a não ser em minha lembrança e em minha saudade: Valdir; Orlando e Paulistinha; Bonzo, Léo e Olávio; Pedrinho, Breno, Juarez, Ênio Andrade e Joeci. Como diz o ditado, “recordar é viver”, e eu sempre vivo mais quando me lembro do Renner e daqueles saudosos tempos. Sem querer “dar uma” de saudosista, sou obrigado a dizer que já não se fazem futebol, times e jogadores como antigamente. Assisti ao filme no canal 66 da Net, foi realmente emocionante e de fazer chorar. Parabéns.

10. Juarez Guilhon Lucas - 14 Março, 2009

Esqueci de pergunar em minha mensagem anterior como faço para adquirir o DVD do nosso glorioso Renner. Aguardo resposta pelo e-mail (jglucas@via-rs.net) ou pelo telefone 51 3029-8780.

11. Adriano gaspar Vitorino - 20 Abril, 2009

olá , onde posso encontrar o DVD do “papão de 54″ ?

12. Adriano gaspar Vitorino - 20 Abril, 2009

olá , onde posso encontrar o DVD do “papão de 54″ ?
agvittorino@uol.com.br

13. Walter Lattuada - 28 Agosto, 2009

Gostaria de saber como adquirir este DVD?